
A atual mentalidade dos gestores da cultura é pulverizar as verbas. Com isso, os profissionais ganham menos, ficam menos tempo em cartaz e fazem trabalhos meia-sola, com claro resultado meia-boca. Mas em iniciativas vinculadas ao governo não pagamos meia-entrada.
Existem milhares de pessoas, em Salvador, que gastam inteiramente seu dinheiro em restaurantes caros, em lojas caras. Mas espertamente falsificam a carteira de estudante pra pagar pela metade o trabalho de um artista. E acham correto, pois no Brasil só é corrupta a ação do outro, a nossa é esperteza.
No Circuito Sala de Arte, o artista paga meia-entrada. Em vários teatros de Salvador, também. Mas no Teatro Castro Alves, artista não paga meia-entrada. No Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia, feito com dinheiro da Caixa Econômica Federal, com o Fundo de Cultura do Governo Estadual, e com co-patrocínio do Banco do Brasil e da FUNARTE (Ministério da Cultura), artista também não paga meia-entrada.
A atual mentalidade dos gestores da cultura impõe que os artistas façam um trabalho meia-sola, com um resultado meia-boca, mas o prejuízo que as artes estão tendo é inteiro. Total. Completo.