quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Catarse

Apesar de não ser bom em indicações, dedico este poema a todo bom entendedor, para quem um poema basta:


CATARSE

Não hei de me curvar
ante a linguagem do meu tempo.

Hei de sobrenadar o seu lixo,
restos de angústia, gula, desespero
e caos (sem todavia perder
a piedade), emergir
em busca de ar; de ar; de luz;
da paz de compreender (decidir)
o que me perder; o que me salvar.

Não. Não hei de enveredar-me
entre os dejetos;
não hei de me deter ante os escombros.

Seguirei meu caminho; e vou catando
lenha – é preciso acender o fogo;
arrebentar o espelho;
enxugar as lágrimas –
purificar a linguagem do meu tempo.


Ildásio Tavares

11 comentários:

Vida Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vida Oliveira disse...

Esse comentario excluido aí em cima, fui eu, anta, q escrevi e apaguei.
Mas sim, queria dizer:

uhuuuu
apoiadissimo!
\o/
por isso q sou sua fã!!!

Pensando com Relva... disse...

Gil,

Somos diferentes...vc sabe. Mas, compreendo perfeitamente o que se passa, ou melhor, o que passamos. Não podemos desistir ou achar que somos os piores dos piores. Pq qualquer pessoa com um pouco de senso crítico e estético percebe que a coisa é feita de tal forma para as conveniências, os conchavos, o toma lá dá cá eterno.
O Braskem nunca foi parêmetro para nada nesta vida...aliás, ultimamente poucas coisas estão sendo...a não ser a lei das conveniências e conchavos. Seria até mediocridade da minha parte tentar entender o que se passa. A lógica deles não é a minha. Já tentei compreendê-los mas não consigo. Fico aqui... a cada seleção, edital, concurso, etc...tentando captar uma luz no fim do túnel e não consigo. Seu espetáculo, como já te falei, para mim, foi sua melhor direção dos que vi, os atores Betão e Prado estavam muito bem. Não gostava muito do cenário... sua adaptação também muito bacana. Não consigo compreender a lógica da banca que para minha surpresa (pq já nem me interesso em saber quem julga o braskem muito tempo) a maioria formada por pessoas de teatro...pessoas até com discernimento e conhecimento, pelo menos, é o que sabemos. Não vi todos os espetaculos indicados, até pq tem alguns que nem precisaria ver para saber o que se trata, mas com certeza, acho que o seu poderia ter algum tipo de
indicação, certamente.
Fico cada vez mais constrangida, mas a vida segue. É de doer até a alma, sim. Mas a vida segue. Não é pelo prêmio, dinheiro, mas pela valorização do trabalho e do profissioonal. Tem muita gente super faturada vc sabe e nem sei como conseguem. Fico pensando...ouço falar que o braskem está para ser extinto...não sei se é verdade ou mentira. Uns dizem que é por falta de verba, outros por falta de qualidade nas produções. Eu diria que possivlemnte também pode ser pela falta de seriedade e neutralidade dos profissioanis respeitados que são convocados para julgar algo tão complexo e abstrato que é a obra artística. Portanto, os critérios que são criados nem sempre são apenas os que acreditamos ser os mais apropriados.
Mas a luta continua comapnheiro!(Risos!) Acredito que alguns só tentam atrasar nossas vidas...apenas isso. Mas eu sou feita de uma barro que me faz renascer sempre das cinzas...uma fênix! Tudo muda o tempo todo...como uma onda no mar! Continuemos a nossa caminhada sem perder a nossa essência.

Pensando com Relva... disse...

Ah! Ionesco já dizia: A realidade não é realista, viu Gil?

Pensando com Relva... disse...

Última coisa: aqui em Salvador percebo que existem pessoas que são influenciáveis. Explico: tem gente que acaba achando algo de alguma coisa ou alguém apenas pq este algo ou alguém passa em um edital, ganha um prêmio, tem boas relações com todos e por isso sempre consegue trabalho ou até passar em editais, dentre outros. Isto basta para aquela pessoa se transformar em unamimidade. Alguns passam a vida toda em cima do palco, uma máscara eterna. Não conseguimos saber o que pensa, o que sabe, o que sonha, o que deseja verdadeiramente. Não se colocam, não questionam, não decidem e muito menos ousam. Só se repetem ou repetem fórmulas já gastas. Até me preocupo quando vejo algum tipo de transgressão...é verdade. Acho isto mesmo. Acredite...tento me fingir de morta...fazer cara de paisagem, mas não consigo. O Teatro além de me fazer me conhecer muito bem, me ensinou a observar tudo e todos que estão ao meu redor.

Anônimo disse...

Viva a poesia verdadeira, que só é verdadeira quando retrata fielmente a verdade.
A matéria da qual são feitas as verdades é a mesma da grande inefável poesia. Singela, óbvia, indesejável, incômoda, intransigente, instigadora, às vezes incompreensível (ou para além das compreensões vulgares).
O poeta lê a realidade com a poesia, e com poesia a restaura íntegra, verdadeira, crua, estável e memorável. O que não é poesia não se faz lembrança desejável, não marca a história, é denunciado por ela, não é tampouco real (ou, pelo menos não se inscreve no real consolidado da memória): é mera passagem, consumo, produto de trabalho alienado que não reconhece a própria miséria e a denomina de muitos nomes transitórios, precedidos de "pós-qualquer coisa" (porque não "é", apenas sucede em trânsito) e arrematados em "ismos" pernósticos - disfarces da mediocridade e da vaziez de idéias e verdades. O que não é poesia é lembrado, apenas, como um fracasso geracional. Os períodos, ditos, "dourados" e bem sucedidos da jornada humana são imersões na poesia.
Viva a poesia denunciadora de quem lança um olhar agudo sobre o próprio tempo. Viva a poesia indesejável.
O artista, em todos os momentos históricos, foi banido das cidades porque denuncia a vileza com a sublimidade inusitada das poesias.
Viva a poesia que não é premiada com o troféu da vulgaridade, do medíocre, do fácil, do negocial.
Viva a poesia sutil e certeira, a piada perdida da qual se ri sozinho quando "cai a ficha" e da qual jamais se esquece. Viva, sobretudo, a verdade legítima das poesias (que incomodam e, por isto mesmo, transformam). Tomara transformem, antes que maltratem os poetas com a bobagem grosseira dos tempos estéreis!

(Geraldo Cohen)

Anônimo disse...

E pensar que nesta tal comissão julgadora estavam professores de teatro! Eles estão acabando com o teatro na bahia! Estão massacrando o talento!Meu Deus, são tão filhos da puta, é uma corja de invejosos não sabem ser artistas, limitam-se apenas a ganhar o soldo, o mísero soldo de professores e aproveitam do poder para exercitar a maldade, eles pensam que são genias mas qual nada! são bundões!!!
Sou um apreciador do teatro, vejo tudo, tenho bom gosto e eu esperava que essa comissão, por ter nomes expressivos da dita Escola de Teatro, podesse votar no talento e fazer a redenção desse Prêmio tão desacreditado, mas qual nada! Ainda prevalece a mediocridade e optam pelo cocô primo, a cara desses bostas! Tô com verconha do teatro baiano!!!!!
Mas, como dizia Caetano:"O juri é simpático mais incompetente". No nosso caso o juri é, literalmente,obceno.
UM INDIGNADO

Vida Oliveira disse...

caro indignado,
Se podemos lutar com versos, para quê tantos palavrões?
eu apoio Gil Vicente,mas acredito que generalizar de tal forma as coisas só faz enfraquecer o discurso. soa pretensioso.
entendo sua indignação, mas acredito que o modo como se fala faz td a diferença.

Pensando com Relva... disse...

Adorei caro indiganado anônimo a lembrança: "o júri é simpático, mas incompetente" é uma pérola que só Caetano Veloso poderia ter soltado em plena época da ditatura, nos antigos festivais de música que lançaram tanta gente bacana. Mas acredite...os tempos são outros, mas as palavras de Caetano são extremamente atuais...qualquer semelhança é mera coincidêcia, será? É a roda da vida.

M.C. disse...

viva a fossa, sá sá

Anônimo disse...

viva a fossa, sá sá