terça-feira, outubro 16, 2007

50 anos de história na voz de seus protagonistas

O Teatro NU realiza entre os dias 29 e 31 de outubro, às 19h, no Instituto Cervantes, na Ladeira da Barra, o ciclo de entrevistas Memória do Teatro na Bahia . O evento reúne atores e diretores oriundos das primeiras turmas de profissionais do estado, artistas atuantes na área há mais de 50 anos. Além de promover a interação entre as diferentes gerações artísticas, o encontro pretende levantar informações sobre a história do teatro baiano, seus principais espetáculos e bastidores.

Os encontros ocorrem em três dias consecutivos, sempre as 19h, com entrevistas mediadas pela atriz e jornalista Jussilene Santana que investiga a poética e a história do teatro baiano no doutorado do Programa Pós-Graduação em Artes Cênicas da Ufba (PPGAC). Mario Gadelha, Wilson Mello, Yumara Rodrigues, Manuel Lopes Pontes, Roberto Assis e Sonia Robatto falam sobre suas respectivas carreiras, formação e questões artísticas.

Durante a conversa, serão exibidas fotos e matérias de jornal contando a vida e a obra dos atores. As imagens pertencem ao arquivo pessoal dos convidados e ao acervo de Jussilene, levantado em pesquisa aos jornais A Tarde e Diário de Notícias, entre os anos de 1956 e 1961. O período é de particular relevância histórica porque nele foram criados a Escola de Teatro da Ufba (1956) e o Teatro dos Novos (1959), fundador do Teatro Vila Velha (1964).

O surgimento da Escola de Teatro marca a transição de um período no qual o teatro em Salvador era entendido como uma atividade diletante e amadora, para o reconhecimento de que o trabalho na área representa um campo autônomo, profissional e artístico.

Na noite de abertura está previsto um encontro no qual se espera fotografar os seis convidados, parte da primeira turma de veteranos ainda em atividade. Como prova desta rara vitalidade, nesta mesma semana, os atores Mário Gadelha e Wilson Mello estréiam o espetáculo Terceiro Sinal, texto de Cláudia Barral, com direção de Deolindo Checcucci, segunda montagem a subir ao palco do recém-inaugurado Teatro Martim Gonçalves.

Também com o objetivo de organizar sistematicamente a memória da área, as entrevistas-depoimento serão filmadas, sendo os textos transcritos e disponibilizados no blog do Teatro NU ( http://teatronu.blogspot.com/).

A transcrição será realizada por alunos do ensino médio de escolas públicas e por universitários da área de jornalismo e teatro, o que reforça o caráter pedagógico do evento. As unidades de ensino apoiadoras são: Colégio Estadual Manuel Novaes, Colégio Estadual Odorico Tavares, Colégio Estadual Edgar Santos, Liceu de Artes e Ofícios, Faculdade da Cidade do Salvador e Universidade Federal da Bahia.

O Teatro NU está em busca de patrocínio para que mais edições do encontro sejam realizadas, com muitos outros artistas. Nesta primeira etapa, foram ouvidos os atores que começaram suas atividades ainda nos anos 1950.

O evento, que é gratuito, é um dos nove contemplados da 1ª edição do Prêmio Carlos Petrovich, e está sendo realizado com o apoio do Governo do Estado, Secretaria de Cultura e Fundação Cultural do Estado (Funceb). Os interessados que comparecerem aos três dias do evento receberão certificado registrado pelo Instituto Cervantes, com carga horária.

2 comentários:

Anônimo disse...

Quero parabenizar a Jussilene Santana, Gil Vicente Tavares e aos colaboradores do TeatroNU pelo trabalho que vêm desenvolvendo. Debates, circulação de idéias, questionamentos, perguntas e respostas... TROCA! Acredito muito que a construção se faz por esta via: trocando com o outro, e porque não dizer com os outros.
Nos últimos dias o Blog do TeatroNU tem sido um dos assuntos recorrentes ás conversas que tenho participado, muito por conta do texto postado por GVT, sobre a peça "As Bruxas de Salém" (a qual estou no elenco), a encenação de Harildo Deda...
Muitas interrogações pipocaram em minha mente. Tive dúvida: falar ou não falar...? Participar ou não deste movimento de discussão?
Optei por entrar nessa também, visto que o debate é NECESSÁRIO. É preciso falar, trocar idéias, construir.
Sou ator e também produtor. Ainda estou aprendendo a reconhecer o mundo - pra não dizer que estou engatinhando... Acabei de me formar na Escola de Teatro da UFBA (com a tão falada "As Bruxas de Salém"), sendo dirigido pelo mestre Harildo Deda. Diante de tantas falas, gostara de me colocar, pois acho que devo:
Ao entrar na tão falada Escola de Teatro da UFBA, tinha muitos desejos, queria experimentar de tudo, conhecer tudo, ler todos os livros, conhecer todos os teóricos e mestres do teatro, devorar as técnicas, métodos, conceitos e linguagens. Com o tempo percebi uma rede rica em possibilidades. Com algumas coisas estabeleci uma relação de afinidade, com outras eu procurei não mais conhecer do que se tratava - o que é normal. Gritei, briguei, fui contra uma séria de coisas na Escola. O fato é que saindo da Escola hoje, percebo o quanto ainda estamos por fazer aqui nesta Bahia nossa. Há espaço pra todos. Se o "estilo" de Harildo, ou o trabalho de Jacyan, ou os posicionamentos de GVT, de Eu ou de qualquer outro (decânio ou não, doutorando ou não, arquiteto ou gente de teatro...) são bons ou ruins é o que pouco importa! O que interessa é que eles existem e refletem um pensamento, é uma interpretação acerca de algo, e sempre haverão contestações, pessoas que concordam ou não. E que bom que não são verdades absolutas, incontestáveis. Mais do que nunca é preciso dizer, colocar na roda, expor, seja no fazer artístico, na atitude, nas conversas, no Blog, no jogo de perguntas e respostas, nas réplicas e tréplicas... Acredito que isso FAZ, CONSTRÓI, INCITA. Não é a toa que muitas têm sido as mesas-redondas, os debates, as discussões.
E tratar de História do Teatro Baiano é uma iniciativa de imenso valor. Mais do que propício é o momento para relembrar esses 50 anos de história do teatro baiano. É uma iniciativa valiosa esta da Jussilene. PARABÉNS!!! É difícil o acesso e o resgate. Vamos lá, vamos participar.

PS.: Não entro diretamente na discussão gerada a partir da postagem da quinta-feira (11/10) - de GVT, pois me sinto contemplado com a postagem do sábado (13/10) - Tradição e Contemporaneidade, de GVT.

Luiz Antônio Jr.

Lulu/Juju disse...

Luiz, obrigada pelo elogio 'a iniciativa. Ela não seria realmente possível sem uma equipe, sem as perguntas e o trabalho de Gil, Manuela, Fernanda e Mariana. Sem esta abertura aqui do blog!

O Teatro NU nasceu como um ambiente para o debate. Desde o início, vejo que é esta sua principal característica: a reflexão, a crítica e o estudo da história, inclusive da imprensa cultural. O Teatro NU nasceu daquela matéria sobre os 50 anos da ET no A Tarde, e, não só por isso, se alimenta da herança desta instituição, até para criticá-la.

Grande beijo e aguardo vc lá no ciclo de entrevistas!! Contagem regressiva...