segunda-feira, julho 30, 2007

Bergman e a grandeza do artista...


Acabei de saber do falecimento de Ingmar Bergman. Um pouco mais de uma semana de minha vó ter falecido. Duas grandes perdas pra mim.

Bergman está entre os cinco maiores cineastas de todos os tempos. Mas não no sentido de figurar naquelas ridículas listas de “os cem mais”, ou “os melhores”. Ele não era melhor que ninguém, assim como seus personagens. E era maior do que todos, por que via além do comum, do medíocre, do normal.

Um de seus maiores desejos não foi cumprido. Pretendia fazer um filme com um cineasta de quem ele era fã incondicional; Federico Fellini.

Era um desejo que demonstrava grandeza. Assim como a vontade de Brecht em adaptar Esperando Godot, de Samuel Beckett. Artistas tão diferentes, mas que pertenciam a um imaginário Olimpo da arte, onde os antagonismos eram brindados com idéias inusitadas.

Prova da grandeza desses dois. Desses quatro gênios que levaram consigo um pouco daquela arte que cada vez mais perde espaço. A arte “artística”, a arte visionária sem deixar de ser técnica, a arte transgressora sem deixar de ser de qualidade, a arte revolucionária sem deixar de estar ligada a uma tradição que querem desprivilegiar como uma arte elitista, esnobe, distante.
Sem Bergman, a arte seria “menos melhor”. Sem Bergman, a arte agora evidencia que – com ele – estávamos menos piores.

Colocaram os ponteiros no relógio de Morangos silvestres. E, como dizia nosso Millôr, numa tradução perfeita da expressão “the show must go on”: o xou mastigou um.

GVT.

2 comentários:

GCohen disse...

Morre um humor melancólico como o mundo. Uma tristeza risível. Um canto de boca, esgar, sorriso preso nas névoas de Faro. E nós cada dia mais medíocres,cada dia com menos beleza para se louvar. Cada dia menos êxtases. Cada dia menos "Sétimo selo". Cada dia mais "Cenas de um casamento". A burguesia está vencendo nos necrológios. Cada gênio que se vai, menos chances de vencer a escuridão. Viva Bergman que não gostava de aplausos! Ah, tristeza!

Lulu/Juju disse...

Um alerta dos deuses?
Antonioni morre também.