sexta-feira, julho 17, 2009

Jacques Wagner; sou viúva? Porém, honesta


Jacques Wagner; sou viúva? Porém, honesta
Ter, 14 de Julho de 2009 20:56
(texto originalmente publicado na coluna Teatro & Cidade do site www.noticiacapital.com.br)

O Exmo. Governador da Bahia, o sindicalista Jacques Wagner, chamou um grupo de artistas, que contestavam a atual política cultural do Estado, de viúvas do carlismo (leia-se, coronelismo baiano a partir do político Antonio Carlos Magalhães). Com essa pedrada digna do presidente Lula, quando escorrega feio em suas colocações, Wagner comete uma imensa estupidez e burrice.

Como bem disse Jussilene Santana, vivemos num eterno BAxVI (http://www.teatronu.com/2008/06/esttica-ba-x-vi.html). A questão, nesse caso, se tornou – para o governador – a guerra dos petistas ignorantes artísticos e desestruturados contra os favorecidos pelas benesses de um governo que elegia os escolhidos e os alijados.

Talvez como sindicalista, como oposição, desatar a falar certas ofensas funcionasse muito, mas no caso, senhor governador, a sua inabilidade política é constrangedora e estrategicamente errada.

Há uma insatisfação geral na classe teatral. Nunca ganhei um edital nos governos carlistas, vim ganhar dois agora, mas respondo por uma realidade, e não por necessidade pessoal – ao contrário de muitos que enfraquecem seus discursos porque reclamam pelo fato de não estarem ganhando ou sendo favorecidos; e isso enfraquece qualquer movimento que não sabe, ao certo, o que contestar.

Um dos pontos principais da reclamação geral vai se encontrar com a declaração infeliz do petista. A duras penas, o teatro em Salvador conseguiu um diálogo mais efetivo com as empresas privadas. Como bem dizem os gestores culturais do atual governo, os artistas precisam sair dessa total dependência do estado. Ou seja, buscar a iniciativa privada (ou assaltar bancos e trabalhar no tráfico de drogas?), pra com ela conseguir uma sustentabilidade que não faça do artista um necessitado de dinheiro público o tempo todo. Vale ressaltar que só na Broadway os artistas conseguem uma total independência do estado, e nem sei se continua assim, assim como penso que não é esse modelo de arte a que os gestores se referem.

Com erros, acertos, favorecimentos e – há que se registrar – com competência, alguns artistas e produtores conseguiram estabelecer esse diálogo aos poucos. De forma ainda frágil e sem uma total independência do governo. Com as atuais declarações de que o Fazcultura estava funcionando às margens de uma ilegalidade, e com a perseguição a certos artistas e produtores locais, com declarações estapafúrdias, com o desvio do foco para a arte soteropolitana, as empresas se afastaram, as peças diminuíram suas apresentações, projetos foram diminuindo, artistas foram ficando fora dos palcos, muita coisa ruim acabou sendo legitimada por editais e pela benevolência em incentivar o artista pela sua condição de coitado, e não de artista. E assim, nessa bola de neve, o teatro retroagiu sensivelmente.

Salvador vive num hiato. Um fosso entre os grandes centros urbanos e as capitais de menor alcance de realização. Não conseguimos nos tornar uma capital madura artisticamente, com uma arte pujante, as empresas se interessando em patrocinar a arte, espaços culturais diversos, patrocinados pelo capital privado, um SESC com poder de fogo, grandes realizações artísticas e de grande porte financeiro, projeção nacional e até internacional de seus grupos e trabalhos individuais, etc. Nem tampouco somos aquela capital de poucos eventos, amparados pelo Estado e pela Prefeitura, com uns dois ou três artistas de destaque que recebem patrocínio e são adotados pela cidade, com grupos poucos – geralmente amadores e/ou universitários – abrigados na estrutura dos governos, dos SESCs, dos SESIs.

Sou viúva de Edgar Santos e Anísio Teixeira, que resolveram modernizar as artes daqui, trazendo grandes nomes. E renovar num sentido real, não no sentido que uma mentalidade que paira sobre a cidade tem, que é acabar com o estabelecido pra voltar a se fazer o teatro da década de 60; ignorância e burrice da nossa gente de agora.

Chegamos a ser referência nacional, mas golpes, mudanças de governo e desastrosas gestões da cultura dessa cidade destruíram um projeto que exilou dessa província – que, tal um personagem de histórias infantis, tem medo de crescer – alguns de seus maiores talentos, por estes não suportarem a falta de reais perspectivas de realização artística.

Ao invés de alimentar a eterna picuinha que atravanca nosso progresso, o Governador do Estado da Bahia poderia estar procurando meios de atrair a iniciativa privada e botar em foco a outra arte produzida nesta terra; pois há certo tipo de arte que desenvolveu sua relação com o mercado e não precisa e nem devia depender do estado em absolutamente nada, devia era pagar os impostos devidos, ao menos.

O governador poderia cobrar dos gestores da cultura em nosso estado que a produção artística merece uma atenção diferenciada – nem mais, nem menos – e deveria entender que, fortalecendo nossa arte, estamos elevando a cultura do povo, os bens imaterias adquiridos por uma população, estamos empregando artistas, técnicos, estamos mobilizando um outro tipo de turismo, estamos avançando no processo civilizatório ao qual estamos inexoravelmente ligados; e fugir dele é atraso, e não combate.

Temos uma cidade com enorme potencial artístico que é ignorado pela iniciativa privada, é negligenciado pelo Estado e esquizofrenicamente esquecido pelo Município. Não há como pensar em auto-sustentabilidade, em autonomia, em independência, em fortalecimento, se nenhuma instância se interessa pela arte. Somente uma real política cultural da prefeitura e do governo estadual, aliada a uma saudável pressão do poder público frente ao investimento privado, poderão despiorar o atual quadro. Articulações, negociações, tudo isso pode ser feito para que tenhamos um CCBB, um Teatro Oi, um Espaço Petrobrás, para que tenhamos editais privados, pequenos festivais, circuitos alternativos, investimento real na cultura dessa terra.

E não será com declarações estúpidas que conseguiremos isso.

Que imenso tapa de luva
Levou a arte, surpresa
Não sabe por que é viúva
Wagareza ou malvadeza?

39 comentários:

37 ANOS DE ARTE disse...

Olá,

Sempre mendiguei para realizar eventos aqui,sem contei com os amigos! pedindo um e a outro,patrocínio!Quando solicitei uma pauta para a secretária de cultura , nem se quer obtive resposta!

Enquanto não se pensar em valorizar a nossa cultura de uma forma geral,artistas , produtores etc. Vai continuar sempre assim favorecendo correntes do partido!Uma vez me perguntaram como estava a crise? eu respondi , No CONGRESSO não há crise, HÁ? Mas a cultura está!

Não tenho partido, sou a favor da arte!

Leonel Mattos
Artista plástico.

ricardo disse...

Abrir a boca é preciso!!!
se tivesse mais gente fazendo isso, quem sabe não haveriam mudanças!

André Setaro disse...

Concordo plenamente com o que está escrito.

relva.barreto@gmail.com disse...

Dia 18/08 a classe artística precisa comparecer Assembléia Legislativa para exigir, reivindicar, manifestar, etc, para um 2010 melhor, mais verba e com mais ações concretas na área de cultura.

relva.barreto@gmail.com disse...

Além de palavras, sliêncios, ausências, queixas, mágoas, lamúrias e desbafos pessoais ou até coletivos...precisamos de atitude e ações concretas.

Iuri Rubim disse...

Gil,

Tá certo que a polêmica principal é com Wagner por conta das palavras, mas me parece que há uma certa condescendência com a Prefeitura de Salvador. Afinal, a maior parte do texto refere-se somente à cidade. Por que não fazer também um movimento contra a prefeitura, que nem uma Secretaria e praticamente nem orçamento tem para a cultura?

Obviamente, isso não exime em nada o governo da sua responsabilidade, mas ao final e ao cabo, trata-se da terceira maior cidade do Brasil, né? Vamos chamar o João para a responsabilidade!!!

Toni disse...

Precisamos de um plano de cultura que seja de no mínimo 8 anos como é com os nossos visinhos Colombianos , por exemplo, para que quando ocorra mudanças de governo, as metas sejam obrigatórias, como tem de ser na saúde e na educação. Afinal os governantes são apenas síndicos, nós somos os patrões, nossa cultura é nossa casa.
Não adianta cobrar só um ou outro, tem de ser com qualquer um que venha a ocupar esse cargo, o poder corrompe, veja no senado, Camaras, prefeituras....
2010 está próximo, teremos eleições, quem nos garante que os governantes do próximo mandato serão esses?
Essa é a hora!!!!
Precisamos estar atentos em saber quem são esses caras que querem se eleger e tirar os que não prestam.
Cultura é nosso povo, nossa cidade,nosso país.
Temos de preserva-la.

Gil Vicente Tavares disse...

Setaro e Leonel, é um prazer tê-los aqui no blog, comentando.
Iuri, você está coberto de razão. Como eu falo acima, no artigo, a cultura é esquizofrenicamente esquecida pelo município. Sugiro que você leia o artigo em que discuto sobre a prefeitura: http://www.teatronu.com/2009/02/o-poeta-antonio-lins-assumiu.html
A questão da prefeitura vai desde seu valor simbólico pra cidade. Temo-la como uma consertadora de asfaltos e praças, bem como o órgão que discute passagem de ônibus, fiscaliza ambulante, etc, e, ao fim e ao cabo, esquecemos que esse contato direto que a prefeitura tem com sua cidade deveria ser pautado por uma filosofia de governo, um plano pra cidade - que não fosse o dos postes azuis horrorosos que enfeiam nas avenidas, as praças de granito...
É uma mudança profunda que tinha que partir de toda a sociedade civil. É gravíssimo. E merece, como você disse, ser discutido, sim.
Ricardo, Toni, Cris, que bom ver gente participando do debate.

abraço a todos!

Anônimo disse...

Vamos eleger para Prefeito alguém do PT e tudo em Salvador estará acertado e bem. Ora pois! Com um poucoi de vevrgonha na cara pode-se admitir que a SECULT está cheia de incompetentes que além de querer "aparelhar" os órgãos, como nós bem sabemos, os seus gestores e a sua eminências pardas querem mesmo é ficar aí por muito tempo mesmo sem a mínima competência estética, artística ou edministrativa!

Anônimo disse...

Continuação de Anônimo:
Desviar o foco e falar do Prefeito quando se sabe que há uma incapacidade real da Prefeitura assumir a cultura de Salvador é má fé! Capital todos sabemos que fica sempre por conta do Estado. Agora quando se quer fazer campanha eleitoral com cultura à diferente: migalhas aqui, insatifeitos que são chamados de ex-privilegiados, e coisa e tal. a Comunicação está matando a Cultura, espero que me entendam!

Iuri Rubim disse...

Olha só porque a cultura não vai para frente: estamos tentando travar um debate sério, tranquilo, aí alguém que sequer tem coragem para se identificar começa a fazer insinuações e baixar o nível da discussão.

Faça-me o favor de falar diretamente o que tenta insinuar e tenta aprender a ler:
"Obviamente, isso não exime em nada o governo da sua responsabilidade (...)"

Até

Fernanda Tourinho disse...

Oi Gil,
Lendo seu texto e os comentários, principalmente de Rubim, me veio escrever aqui sobre uma questão que há muito me incomoda. Trata-se do valor pago à Prefeitura, na forma de ISS, pelas produções artísticas que se apresentam nos teatros e afins. No Teatro Jorge Amado todo evento paga 3% sobre a renda bruta da bilheteria de cada sessão. Este valor é debitado no borderaux e imediatamente depositado nos cofres públicos municipais através de DARF. Religiosamente. Sem perhaps. Em alguns espetáculos trata-se de soma considerável, principalmente se for a mesma produção, em temporada de sucesso. Artistas locais ou de outros estados, todos pagam. Sempre considerei este imposto uma dupla tributação aos espetáculos teatrais (música, dança ou teatro) pois podemos entender a obrigatoriedade da meia entrada como uma tributação de 50% sobre os ganhos dos artistas. Com o ISS sobe para 53% o imposto devido. No mínimo, pois o real dos borderaux indicam que entre 70 e 80% das vendas são de meia-entrada (a legislação é municipal e não prevê limites ou cotas e todos sabemos a vergonha que é o nº de carteiras de estudantes falsas que temos em Salvador). Que outro grupo profissional tem tributação tâo elevada? Até o IR tem a tributação máxima de 27%... Por que não fazermos uma proposta à Prefitura para que o valor total arrecadado de ISS nos eventos artísticos correspondam a um Fundo de Apoio às artes pelo Município?
Imagine o que não é arrecadado nos diversos espaços da cidade? Ou só os teatros têm essa obrigação legal?
Posso fazer um levantamento do montante arrecadado pelo Teatro Jorge Amado em 2008 e 2009 e passar para vcs.
O que acha?
Sempre achei que havia um silêncio muito grande dos produtores sobre este tema e sempre cobrei uma posição política de todos com relação a isso pois a Prefeitura criou uma lei (cada prefeitura tem uma, bem sei)que penaliza os artistas financeiramente para oferecer um benefício aos estudantes (nada contra!, mas além dela fazer "caridade" com chapéu alheio - uma vez que não existe uma contrapartida para os mesmos, ainda lhes cobra imposto sobre serviço em cima dos mesmos ganhos já tributados.
Um abraço
Fernanda Tourinho

Gil Vicente Tavares disse...

Fernanda,

A meia-entrada é fazer reverência com o chapéu dos outros. Só quem perde é o artista, que já ganha pouco. Deveria ser como a passagem de ônibus, onde a administração pública entra com a outra parte. Ninguém paga meio-livro por ser estudante. E se pagasse, duvido que a indústria dos livros aceitasse que tudo caísse sobre suas costas. Mas artista de teatro tem que dar graças a deus que ainda faz teatro, quanto mais ter direito a qualquer coisa... é assim que eles pensam, parece... seria a hora até mesmo de um SATED entrar na briga, não seria?
Quanto ao ISS, é uma palhaçada que num momento onde se discute a lei de incentivo fiscal através da renúncia do ISS ou IPTU, o artista ainda pague esse imposto.
Já que a verba do município, destinada a cultura, é uma comédia de mau-gosto, esses artifícios de liberações deveriam ao menos funcionar através da Fazenda.
Acho que sua colocação tem que ser melhor discutida. Por que não organizar lá no Jorge Amado um encontro com administradores de teatros pra ver os pontos a serem reinvindicados? E mandar um documento assinado, "oficial", com essas reinvindicações, à câmara dos vereadores - que ignoram que existe arte em Salvador - e à Prefeitura - que ignora até mesmo o que é arte?
Precisando, estamos aí...

bjs,

GVT.

Iuri Rubim disse...

Fernanda,

"Por que não fazermos uma proposta à Prefitura para que o valor total arrecadado de ISS nos eventos artísticos correspondam a um Fundo de Apoio às artes pelo Município?"

Esta é uma ótima ideia. Um fundo transparente, para que este dinheiro volte aos artistas. Cinema deve pagar ISS do mesmo jeito, né? Em caso afirmativo, poderia até ser uma grana razoável!

abs
Iuri

Vida Oliveira disse...

Parabens por todo o debate que conseguiu que surgisse aqui, Gil.
Acho que concordo com a Fernanda sobre resolver os problemas do ISS e da meia entrada já seria grande coisa! Se paressemos de ganhar meia-bilheteria, já ajudaria.
Mas, é claro. Tem que se fazer todas as outras coisas que já foram discutidas aqui. Concordo com todas elas e queria manifestar isso.
E vamos discutir ainda mais!

Vida Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vida Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gil Vicente Tavares disse...

Fernanda,

A idéia do fundo é legal, mas teria que ser definido de que eventos artísticos (talvez os de grande porte) esse dinheiro teria que sair. Acho estranho uma pessoa de teatro pagar o imposto e depois concorrer a um fundo pra esse dinheiro retornar a ele.
Teria que ser feita uma reunião com quem é de direito (vamos agilizar isso?) e ver que garantias teríamos para que esse dinheiro do fundo não fosse desviado para parentes, bolsos e mansões. Maiakovski dizia que talvez no Brasil existisse algum homem feliz. Quem sabe na política ainda exista algum homem honesto e interessado em nossa causa?
Salvador é a única capital onde não vejo a marca da prefeitura em nenhum evento cultural. Como disse anteriormente, prefeitura virou sinônimo de asfaltamento, reforma de praça e colocação de postes - tudo ruim e/ou feio e/ou mal-feito.

Anônimo disse...

Porque Gil, Fernanda e os demais que estão propondo ações não se juntam a comissão do SATED que está elaborando um documento com algumas questões a serem enviadas a SECULT e a Prefeitura? Olha, uma, duas, três... andorinhas não fazem verão. Concordo que muitas reuniões acontecem e nada é resolvido. O espaço virtual é apenas um bom espaço para comunicação rápida, mas concretamente é necessário que um diálogo real seja realizado. É urgente isto.

relva.barreto@gmail.com disse...

Foi meu o depoimento acima.

Cristiane Barreto

Jussilene Santana disse...

Iuri e demais,

Já foi assunto de incontáveis "reuniões de pós-pauta" aqui no Teatro NU a exclusão ou não dos comentários anônimos. Todos que visitam o blog sabem de nosso esforço em discutir com substância e foco.

Chegamos, depois de um dado episódio, ao acerto de que só retiraríamos aqueles textos com palavrões, ofensas pessoais e outras aleivosias.

Constatamos que, apesar do anonimato, os temas e assuntos tratados eram relevantes para se sondar "o espírito do tempo", já que os corpos se acovardavam.

No mais, sobre a prefeitura, é como estou analisando nos tópicos sobre os 15 pontos: "ela patina lépida e faceira, como se nada tivesse com o assunto"

A "classe" artística, tanto sua parte atordoada quanto na encantada, se desacostumou a cobrar algo dela. Reflexo também dos últimos 16 anos, quando em outras esferas (saúde, educação, planejamento...) também nunca sabíamos exatamente onde acabavam as atribuições de uma e de outro.

Este "tema", por exemplo, que merece desdobramento num post mais aprofundado: A Capital.

abraços,
Jussilene

abçs,
Jussilene

Jussilene Santana disse...

Cris, já que não posso integrar a comissão por agora, espero que os comentários aos 15 pontos sejam realmente apropriados e ampliados como uma contribuição legítima.

Volto para SSA em setembro.

bjs

relva.barreto@gmail.com disse...

Ok. Indiquei a leitura do blog a comissão.

Cristiane Barreto

Fernanda Tourinho disse...

Gil,
Compreendo a sua questão: vc fala do lugar da eliminação do ISS ao artista, né? Melhor seria não ter que pagar. Eu na hora pensei na apropriação do dinheiro para o próprio artista, na condição de ser o imposto inevitável. Não sabemos o que a prefeitura faz efetivamente com este dinheiro... Se acabar com a taxa for mais burocrático do que sonha nossa vã filosofia, podemos tentar ao menos recuperá-lo numa espécie de cooperativa.
mas concordo que temos que discutir. Só não entendi pq a reunião teria de ser com administradores de teatro. Quem paga o imposto são os espetáculos, descontados diretos do borderaux;
E Rubim, deve ser razoável mesmo pois o TJA brigou muto para pagar somente 3% do borderaux real. A maioria paga sobre vendas presumidas - antes mesmo de ver se deu ou certo. Mas eu aposto que o Festival de Verão é isento. E o Cirque du Soleil. Alguém não?

37 ANOS DE ARTE disse...

Olá,

Não temos uma representação!

Cadê a associação dos artistas plásticos?

Na área das artes plásticas,temos uma associação domestica há 40 anos, não representa os interesse da classe , seu presidente foi reeleito treis vezes, a ultima sem comunicar a maioria dos artistas!

A segunda associação foi criada para reivindicar a esse Governo, mas como se moldaram, a associação não fala mais nada! Acabou! ou seja uma associação para interesse próprio,por isso as não deu certo!

Temos uma lei que não funciona, que é, cada prédio que construir, tem que ter uma escultura, não acontece!

As praças inauguram e não há escultura! Não cuidam do patrimônio histórico, as esculturas publicas estão caindo aos pedaços nem restauram e não solicitam novas para a cidade!

Necessitamos de um salão de arte baiano para lançar a produção dos artistas jovens emergente, local,só a bienal do recôncavo faz isso! O salão da Bahia o do MAM, É UMA CURADORIA SÓ ENTRA 40, SEIS SÃO DAQUI E O RESTANTE DE FORA, CAUSANDO ASSIM UM ESMAGAMENTO CULTURAL!

Produzir arte nessa cidade, é muito difícil, e fazer acontecer é pior ainda, não há uma atenção maior, a iniciativa tem que ser do Governo a valorizar mais seus artistas e seus produtores, potencial nos temos,falta uma política mais direta e atenciosa!

Esperamos mudança,seus artista e a BAHIA MERECE!

Espero que esse debate não pare por ai, só em palavras, queremos resultado,queremos parceria para uma Bahia melhor!

Leonel Mattos
Artista plástico

relva.barreto@gmail.com disse...

Sr. Leonel,

Fui ao encontro com deputado estadual Javier Alfaya sexta passada no conselho de cultura e dentre outros temas discutidos e levantados, teve uma proposta de autoria do referido deputado foi o de Arte em Toda Parte que segundo ele, obriga que prédios e equpamentos públicos como edifícios, praças, museus, teatros, hospitais, dentre outros, tenham obras de valor artístico e que seja selecionada através de concurso público. É um projeto de lei que ainda tramita na Assembléia. Não gosto de política e de políticos, mas veja bem: política pública necessita de articulação política. Se tem um deputado que está com propostas próximas do que sua área artística necessita pq o senhor não busca um diálogo com ele? Acho que todas as linguagens artísticas precisam sair do posto de "divindades". Precisamos aprender a dialogar, articular, discutir, questionar, etc. Dia 18/08 na Assembléia Legislativa os deputados vão discutir e votar inúmeras questões relacionadas a área de cultura...inclusive verba para 2010...é necessário que os interessados compareçam para fazer pressão. É assim que seremnos vistos e ouvidos. Infelizmente, é assim. Na área de Teatro, apesar de termos um sindicato que pode nos representar, é uma classe desunida. Então, perceba, somos artistas, somos. Mas precisamos nos organizar enquanto profissão. Não adianta um movimento recheado de reivindicações pessoais. Precisamos aprender a pensar no coletivo.

Cristiane Barreto
arte-educadora e diretora taetral

37 ANOS DE ARTE disse...

Olá Relva,

Quando pensamos no coletivo, agente se expõe dessa forma!
Conheço o projeto do deputado Alfaya, há bastante tempo ele vem lutando e a burocracia,faz a demora, já em Pernambuco essa lei funciona há tempo!
Estou aqui, dizendo o que penso, não pretendo cargos,mas entendo quem está no Governo, deve resolver as solicitações, por isso participo! Quem deveria está na frente disso era a associação dos artistas plásticos, cadê a associação? Temos duas!
Tivemos aqui em Salvador uma visita de um curador Frances, para realizar um projeto França -Brasil, fui convidado por um colega para participar da reunião,
chegando lá um representante da secretária de cultura disse que eu e os colegas , teríamos que apresentar curriculum, será que a secretária não sabia quem somos?
Vá a Curitiba e depois veja nosso quintal! Existe diferença! Sim estamos na nossa querida Bahia!
Gostaria de estar elogiando, mas espero um dia sim, se não vamos morrer no anonimato como muitos já se foram!
é preciso valorizar os artistas e produtores da TERRA!

Leonel Mattos
artista plástico

37 ANOS DE ARTE disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Olá, eu estou muito confusa com esta situação da cultura baiana.
Acompanho o blog do Teatro Nu há alguns meses e os escritos recentes me fazem questionar a realidade cultural baiana e o que eu acredito ser cultura. E os textos antigos( 2008, 2007) me faziam questionar o que era arte, mas acho que cheguei a algum lugar sobre isso.
Fui ao site da Secretaria de Cultura e então fiquei mais confusa, porque com que está lá escrito, eu concordo em pelo menos 80%, talvez mais. Gosto e acredito no sentido que o secretário da cultura da à cultura, e sim a arte é outra coisa. Mesmo "arte sendo técnica", eu acredito na importância do popular sobre o erudito. Pra mim o erudito deve ser acessível a todos (não falo só do acesso aos lugares, falo do acesso aos signos, ao entendimento do que está sendo exposto, mediação, educação e etc), mas sem que isso desmereça o que é feito pelo povo. Desprezo a idéia de que o que é erudito tem maior valor, ah sempre tão elevado a última potência o que fazem os acadêmicos...isso me dá asco!


Mas falando sobre os deveres do Estado para com a cultura do povo brasileiro, fui ler a Constituição Brasileira (que por ser a lei maior, está superior a estadual e a municipal) e de certa forma está tudo nos conformes, não em sua totalidade, mas é passível de diversas interpretações.
No artigo 215, parágrafo 3º, Inciso I, Defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro.
(Bom, pelos pontos apresentados no Blog do Teatro NU parece que não, mas lendo o site da SECULT em missão e desafios, parece que existe um esforço em cumprir com este dever.)
Inciso II produção, promoção e difusão de bens culturais;
(Sim, está existindo uma difusão dos bens culturais, isso através da descentralização da cultura da capital para todos os municípios. Eu não acredito que a capital, deva ser a cabeça e os outros municípios suas ramificações, eu acredito que todos devem ter uma sua independência cultural e o que deve acontecer é um dialogo e não uma dependência. Nem muito menos a supervalorização do que é feito na capital contra o que é feito em cada município. A Bahia não é Salvador!)
Inciso III Formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões;
(Consta na programação da SECULT a residência de grupos da capital no interior, cursos de capacitação profissional. Como os que foram oferecidos pelo Teatro Castro Alves e etc. Basta ver a programação da SECULT. "O objetivo é garantir uma formação de ponta para os profissionais da área, atraindo ainda talentos de outros estados e países."

Inciso IV Democratização do acesso aos bens de cultura;
(Espetáculos no teatro Castro Alves a um real, vi no site que ESTUDANTES podem assistir a concertos a cinco reais.
Inciso V Valorização da diversidade étnica e regional.
(Pois aí está, o governo estadual está realmente atuando neste quesito)

continua...

Diana Brito

Anônimo disse...

Saindo do governo estadual e indo para o municipal, foi aí que encontrei na constituição algo que realmente pode ser feito.
Consta no artigo 216: Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados, às manifestações artístico-culturais.
No parágrafo 4º Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei.

Penso então que com o que consta no artigo 216 e no 4º parágrafo é que se pode entrar com uma ação no ministério público contra o então prefeito sobre a questão do Teatro Municipal.

No artigo 5º, inciso LXXIII diz: Qualquer cidadão é parte legitima para propor ação popular que vise anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comparada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.


Bom, pararei por aqui, já me estendi por demais e... dor de cabeça, assunto que não entendo, só quero esclarecimento.
Não entendo de direito, mas acredito na Constituição, não em toda, claro. Pedi ajuda e recebi umas apostilas explicativas e um amigo meu que cursa direito falou que qualquer pessoa pode entrar com uma ação contra os governantes através do Ministério Público e acredito que talvez esta seja uma forma eficaz de pressionar o governo a cumprir com seus deveres e os cidadãos terem seus direitos garantidos.

Não estou defendendo a SECULT, nem tenho partido (sou inteiramente cidadã brasileira), mas não acho que tudo esteja perdido (talvez por ingenuidade e ignorância).
Abraços,
Diana Brito

Anônimo disse...

MAIS UMA ASSESSORA DA SECULT QUE VEM DEFENDER O INDEFENSÁVEL. QUE HORROR!, QUE ASCO!
Anônima (por necessidade)

Claudio Simões disse...

Gil, gostei muito da lucidez do seu texto. Tudo muito bem colocado.

Gil Vicente Tavares disse...

Claudinho,

Também gostei muito de ver você se pronunciando no blog, participando.

Diana,

todos nos novos governos põem em seus sites feitos memoráveis e "nunca antes na história" feitos. Você critica a academia e acaba voltando a ela pela contramão, sem conhecimento prático, do dia-a-dia, se baseando num site pra defender na teoria o que você não conhece efetivamente na prática.
Só uma coisa, a questão não é centralizar na capital. O ideal é que o interior consiga as ferramentas e conhecimentos da capital. Temos que "capitalizar" o interior, e não legitimar o que ele tem de inconsistente por conta de erros históricos, políticos e geográficos.
Para não me repetir aqui, sugiro a leitura de dois textos do blog:
http://www.teatronu.com/2007/09/que-cultura-para-todos-ou-raiz-da.html
http://www.teatronu.com/2008/11/gustav-mahler-um-dos-meus-compositores.html

abraço a todos!

Jussilene Santana disse...

Olá, Diana, boa tarde,

Bom, entendo realmente que você esteja confusa... Erudição não é, de forma alguma, antônimo de popular. Não são coisas que se contradigam, a não ser que se entenda popular como algo simplório, simples, imbecil. Porque o popular pode ser bastante complexo, vasto e variado, ou seja, erudito... Quanto ao "popular" vazio e pouco inteligente, a mim realmente não provoca nenhum sentimento de defesa. Esse já está em nossa sociedade suficientemente forte e bem nutrido.

Eu que transito em vários mundos, só posso te dizer que a arrogância não é um mérito da Academia. Infelizmente... Não é tão fácil assim encontrar o bunker "inimigo"... Se não é fácil sabermos quem somos "nós", igualmente difícil se torna saber quem são os "outros".

Quanto a buscar referência na constituição brasileira, ela não é exatamente uma cartilha de poéticas artísticas, não é verdade? Em relação a este percurso, seria melhor outro tipo de leitura.

grande abraço,

Jussi

Anônimo disse...

muito lúcido e real o texto
grande abraço!
Marcio Mello

Toni disse...

Parabens a todos pela discussão, quero apenas acrescentar mais um ponto a essa discussão. É fato que não temos espaços publicos suficientes, explico: O TCA é só para grandes produções, o Vila Velha é de um grupo reduzido, se tem mais algum por favor me digam, ou seja, não temos onde exercer o nosso trabalho de forma independente. Ainda bem que existem locais como o Teatro Jorge Amado e outros privados que tentam pelomenos exitir num estado que vende a nossa cultura a todo o mundo e pouco ou nada faz para o desenvolvimento dessa mesma cultura.

Anônimo disse...

Jussilene, eu busco na Constituição Federal, direitos e deveres, lá certamente não se encontrarão "poéticas", afinal nem a Poética de Aristóteles era "um dever a ser cumprido" e por isso mesmo não podia ser exigido (exceto na época do classicismo). Nem a Poética nem a Constituição são livros de receita do que fazer. Realmente para cultura ela é falha, vou dizer só para a cultura, sem considerar que ela é falha em vários aspectos e eu nem a li toda, só o que me interessava.
No artigo sobre Ricardo Castro que consta aqui no blog, os comentários falam sobre políticas públicas e me fizeram pensar melhor sobre o papel do Estado e do Cidadão. Porém realmente preciso ler mais sobre cultura e eu que já sabia do meu déficit de conhecimento, me matriculei na disciplina de cultura brasileira oferecida em FCH.
Quanto à academia dialogar com "o popular" está acontecendo, mais sem a devida importância, pois tem na minha grade curricular do curso de licenciatura em teatro a disciplina "Manifestações populares". Porém ela é tão relevante para os professores que na "falta de tempo" para dar conta de todo o conteúdo programático ela foi deixada de lado e sabe-se lá quando um professor retomará a matéria que ficou sem ser dada. Cabe a mim cobrar o meu direito. Mas voltando ao assunto de popular, li um artigo seu sobre Martim Gonçalves e gostei das propostas dele de diálogo entre o "erudito" e o "popular". Este blog serve-me muito como instrumento para o conhecimento, coloco em procurar algumas palavras e posso ler sobre o que me instiga a pensar. E me sirvo também de algumas referencias bibliográficas.
Muito obrigada a você e ao Gil Vicente Tavares por este espaço enriquecedor.
Cordialmente,
Diana Brito

Anônimo disse...

Observações

O Ricardo Castro a quem me refiro, é o pianista. "Ricardo Castro: uma ilha no governo da Bahia...". Artigo de Gil Vicente Tavares em 20/11/2008. Foram os comentários que me fizeram repensar os "esforços" da SECULT.
Link: http://www.teatronu.com/2008/11/ricardo-castro-uma-ilha-no-governo-da.html

E Sobre Martim Gonçalves, o artigo que li foi "Especulações", artigo de Jussilene Santana em 28/12/2007.
Link: http://www.teatronu.com/2007/12/especulaes.html

Sem mais...
Cordialmente,
Diana Brito

37 ANOS DE ARTE disse...
Este comentário foi removido pelo autor.