quinta-feira, agosto 07, 2008

Como dizer?... Já no ônibus, durante as horas até em casa (depois ainda tínhamos que caminhar uns 20 minutos do ponto até nossa rua) eu sentia um mal estar terrível. O corpo todo latejando. O olho querendo fechar. Alguém aí já botou um tomate para ferver? Já viu como a pelezinha sai?

Geralmente eu faltava aula segunda-feira pela manhã. Não conseguia vestir uma camiseta. Só pelos 12 anos de idade foi que descobri o Caladril. Aos 19, me apresentaram o protetor solar.

Uns dois, três dias depois, as bolhas subiam. Eu e meu irmão gostávamos de pocá-las com uma agulha. Como mainha reclamava, a gente fazia escondido. Os meninos da rua ficavam rindo, mas eu nem ligava. Até que um deles, um dia, falou na minha cara que eu era uma barata descascada.

Eu dei um grito e saí correndo. Cheguei em casa chorando. Mainha, claro, perguntou por que. Eu disse e ela falou que ia reclamar com dona Marieta, a mãe dele. Depois da bronca que obrigou Edson a ficar de castigo, os meninos ficaram cantando uma música inventada que tinha uma barata descascada na letra.

Depois eles esqueceram.

Isso para não lembrar dos shows do Zampiapombo, na Formiga de São Caetano, e de outras histórias que o povo de Zambi vive me pedindo para contar em peça ou num roteiro...

Tem até um projeto meu com Xanda Dumas, infelizmente adiado devido a sua viagem para a França. Os mais radicais me pedem mesmo um pocket show, tipo microfone e banquinho, em protesto pela carestia em que estão submetidas as produções teatrais, mas eu não tenho talento para isso... Sou uma atriz dramática que precisa de toda a parafernália que o teatro moderno inventou para contar suas histórias. Preciso de, sobretudo, outro ator, porque já disse e esta é minha profissão de fé, o teatro nasce com o diálogo. E a arte de dialogar é a que mais me importa.

Por Jussilene Santana

P.s.: Pesquisei na net e não há nenhuma citação para este tema... Se vcs virem depois um projeto assim, já sabem de onde ele saiu...

9 comentários:

Halbermensch disse...

Foi a coisa mais interessante que eu li neste blog até agora. Gosto das narrativas perssoais, elas falam muito mais do que as intenções universais de mudar o mundo. Hoje você mudou um pouco o meu modo de ver o mundo. Bjs.

Halbermensch disse...

ERRATA: Onde se lê "perssoais" por favor, leia-se "pessoais". Cliquei sem revisar.

Luciana disse...

Aahahahhaha! Identificação total. Eu também reivindico essa albinidade. A minha reside no fato de que eu não sei dançar nem dois-para-lá dois-para-cá nessa terra de tanta alegria, magia, folia, blablablá. E, desde que sou católica apostólica romana, minha albinidade aumentou em níveis nunca dantes visto. Ai, ai, o que será de nós duas, hein? Quando vamos nos reunir para discutir essa nossa condição de vítimas do sistema? Quem sabe, saímos do bar com um projeto de lei que nos beneficie...

Falando sério, temos que nos ver urgente! beijos, saudades. Te amo,

IARA disse...

Vc falou em outro ator? Em diálogo? Q tal dialogar com a branquela aqui q morou na Itinga a vida toda? Eita, vc sabe q a gente tem é história pra contar, né?!?!?! E eu adorei o título do texto!! A carapuça encaixou perfeitamente!
Bjo enorme.

Jean Wyllys disse...

Amada, desculpe a demora. Olha só: leio seu blog sempre; acho as discussões ótimas, mas, não consigo postar comentário porque não tenho conta no google. Sobre as confissões da África albina (Lá vem o vulcão da Liberdade, com as suas labaredas), tenho a dizer:
É, Jussi, quem te vê com esta pele alva como a neve e com os estes olhos verdes de ressaca pode achar que tu nascestes em alguma colônia do Sul; mas, não: nascestes em "São Caete". Conheço bem. Vivi em lugar parecido e, como você, esperei ônibus em sombra de poste. Beijos!

Jean, seu amigo amado

Anônimo disse...

Hehehe...que presente, bem no dia no meu niver!! Não sofro desta condição albina, pois fui bastante beneficiada com a querida melanina, mas sou solidária à causa...Principalmente quando o assunto é uma albinazinha tão adorável como você! Adorei revê-la! Já começou a leitura dos budas do Ubaldo? Tou louca pra saber da sua católica opinião! hehehe
Beijos!
Débora

Xanda Dumas disse...

parceira!!! me espere!
hj vivi dias albinos em Paris. Fui à lavagem da igreja da Madalena, uma tentativa de reproduzir a lavagem baiana em paris. Instigada pela nostalgia comecei a dançar o axé cantado num trio elétrico. Dps de instantes de corpo solto me senti observada, estranha e gringa. Só depois q me toquei q a maneira preferencial dos franceses participar da festa é fotografando. Daí, me senti aquela branca tentando dançar samba-reggae na ladeira do pelô. Bem bizarro o estranhamento de uma festa tão familiar. Bom e bizarro! A preta no branco! Dps conto mais.
Bjs vestidos de branco para os nus do Teatro. Ça ra va!

Priscila Rodrigues disse...

Tô com a Iara, branquela da Itinga, não a vida toda, mas quase...
Ju, como faz falta à FCS sua competência! Vê se volta logo.
Saudades...
Pri

Priscila Rodrigues disse...

Ah! Quase esquecendo, adoro seu texto!
Bjo