quinta-feira, outubro 11, 2007

Caça aos feiticeiros



Desde que entrei na Escola de Teatro, em 1995, o mestre (em quase todos os sentidos) Harildo Déda, decano das artes cênicas da Bahia, diz que vai se aposentar. Já se passaram 12 anos, e este herói da resistência insiste em fazer teatro.

Semana passada estreou As bruxas de Salem (últimas apresentações dias 11 e 15, 20hs), mais uma montagem de formatura que Harildo dirige, no novo Teatro Martim Gonçalves, e fiquei muito feliz ao ver um teatro novo, tecnicamente bem-feito e estruturado, e com uma peça digna de inaugurá-lo.

Digna por vários motivos. O texto de Arthur Miller chega a ser piegas como um bom filme americano, ingênuo, tendencioso, moralista, mas isso pouco importa. É um texto que funciona para formar alunos que estão se graduando em interpretação, e é bom ver que os alunos funcionam para o texto.

Bem dirigidos, apresenta-se no palco uma plêiade irregular de talentos como se acharia no Buffes du Nord ou no Berliner Ensemble, e isto pouco importa. O que mais salta aos olhos é que Harildo cumpriu seu papel, fazendo um espetáculo coeso e dedicado a seu propósito.

Uns vão dizer: Harildo não é encenador. Outros: é um espetáculo careta. Bem, quanto à primeira questão, perguntem aos atores o que eles aprenderam de interpretação neste processo e verão a coerência do propósito. Quanto à segunda, terei que me submeter a responder aos imbecis apenas para perguntar se quando eles vão pra um concerto com obras de Brahms eles saem de lá com o mesmo questionamento. Vão procurar o que fazer, e fazer bem.

Parece-me um contra-senso ou simples veneno dos incompetentes, visto que só comenta que um espetáculo como esse é careta quem (não) conhece minimamente teatro. E quem conhece minimamente teatro sabe o estilo de Harildo, sabe, talvez, o estilo de Arthur Miller, e deveria saber, ao menos, que uma peça de formatura em interpretação é dos alunos-atores, e não dos egos-encenadores-criativos. É fundamental uma experiência sólida de interpretação.

Dêem graças a deus, caros alunos. As atuais mentalidades e políticas não querem mais ver este tipo de teatro em cena, e vêm com alternativas inconsistentes, desenraizadas e desorientadas.

A montagem traz o auxílio luxuoso da cenografia precisa de Eduardo Tudella, encorpada pela sua luz, feita em meio às confusões com dimers, inaugurações, questões técnicas que não prejudicaram um eficiente trabalho. Uma cenografia provocadora, que nos remete ao anfiteatro grego, onde o palco central é o lugar do julgamento dos atores-personagens. Mas não só. Harildo faz os atores irem ao proscênio dizerem textos que são recados indiretos e diretos aos abutres, hienas e urubus que tentam pousar na nossa sorte. E com isso, Harildo traz o público pra cena, coloca todos no mesmo tribunal.
Não à toa, o personagem herói – indispensável na moralista-pequeno-burguesa peça americana – acaba subindo a platéia, se encontrando com perseguidos e perseguidores da vida real. Ressalto apenas que as janelas do cenário são mal pensadas em termos de troca, bem como não dão contribuição fundamental ao espetáculo.

Não fui ao teatro ver uma encenação, fui ver uma peça de formatura, fui ver alunos que correram pra Harildo na tentativa de fazer teatro estudado, dedicado, sério. Os imbecis hão de dizer que Harildo é realista, e resta-me dizer que estes são os mais atrasados, são os saudosos das décadas de 60 e 70, onde qualquer um fazia teatro, bastava tirar a roupa ou ser desinibido, ou dizer, apenas, que era ator. Qualquer pessoa minimamente antenada vai saber que aquele cenário, com aquelas marcas e com aquela luz não tem nada de realismo. Quando muito, vão se incomodar com o estudo dos personagens, com a dedicação ao texto; que tanto serve a Miller quanto a Beckett, são artifícios que podem, ou não, ser usados, e que me parecem eficientes na formação de um ator que precisa de esteio, base (e não sei se alguém teria em Salvador – no nível de Harildo – formação suficiente pra repassar aos alunos outras técnicas mais afinadas com as vanguardas que, de tão atrasadas, se tornaram a retaguarda da mediocridade).

Harildo manda seu recado. Infelizmente, em tempos de barbárie, não basta apenas o palco. Queria ouvi-lo fora da cena, do teatro, contestando equívocos. Ele e a Escola de Teatro precisam se pronunciar, tomar a frente, afinal, a Escola de Teatro forma profissionais para a cidade, é um espaço de pensamento sobre o teatro nesta cidade, e parece, muitas vezes, não dialogar com ela, visto que não vemos posicionamentos oficiais, questionamentos, discussões.

No candomblé, antiguidade é posto. Aprendi a fazer teatro assistindo Harildo, Yumara, Gideon, Cacá, Joana e tantos outros. Não deixem nossos bruxos serem caçados, injustiçados, ignorados. E que eles se pronunciem, façam, lutem. O Teatro Nu está fazendo um ciclo de entrevistas com seis pessoas que foram alguns dos primeiros profissionais da Bahia, e estão no palco há cinqüenta anos. Isso é uma conquista, uma vitória. Nós, profissionais iniciantes, agradecemos. Uma cidade sem referências, assim como pessoas sem referências, são um vazio que – qual buraco negro – engole a tradição, a história, a arte.

GVT.

16 comentários:

Anônimo disse...

Nâo entendo por que GVT chama a todo o mundo de imbecil?

Apreenda e aprenda a formar opinião e respeitar aos que emitem criterios mais engajados,numa escola com alunos que lutam para quebrar estruturas caducas e sólidas de formação.

EU.

Anônimo disse...

Caro anônimo, parece-me que o rapaz chama de imbecil quem chove no molhado ao ir assistir circo e reclamar que tem malabarista.
Parece-me, também, que o autor do texto elogia o caráter engajado da montagem (infelizmente, não estou em Salvador pra assistir) - criteriosa - portanto fica contraditório o seu comentário.
O que seriam critérios mais engajados?
E, vem cá, os alunos dessa Escola lutam pra quebrar uma estrutura sólida de formação? Como quebrar estruturas sem compreendê-las? Sem passar por elas?
Sou arquiteto, e no meu ramo estudamos a estrutura dos arcos romanos como uma engenhosidade fabulosa. O que faremos com isso, de contemporâneo, cabe a mim. Mas tenho a estrutura estudada e fundamentada. Não sei como é em teatro, mas ao que me parece, pra Picasso chegar ao cubismo, precisou um estudo aprimorado das técnicas anteriores pra poder romper com elas.

Augusto Valois Bezerra (sem me esconder)

Anônimo disse...

Caro amigo Augusto:
Sem a menor intenção de ofender é evidente que vc é arquiteto.
Não falamos de colunas,falamos de teatro.
Quando falo de estrutura caduca e sólida refiro-me a espíritos sólidos que não são capazes de pensar o teatro de outra maneira. Ainda continuam fazendo a mesma coisa. E não é Picasso o melhor exemplo. Por favor não coloques,ao igual que GVT comparações ofensivas e enganosas para com o inteleto, Além de que GVT naõ tem direito de chamar de imbecil a quem não esta interessado em continuar assistindo a misma fórmula desgastada.
Vc pode construir colunas ou desenhar maravilhosos espaços a partir dos principios básicos,que para as artes plásticas tal vez devam ser os mesmos,mas há muitos ABCs do teatro e não necessáriamente devemos continuar com uma estrutura importada e caduca,caduqerrima!
Outra coisa é que vc vai a assistir um espetáculo esperando sempre algo de diferente naquele criador,pois ainda que seja uma escola de teatro pensamos no progresso,na diferença,no que de artistas temos de melhor, ficar sempre na procura de um novo jeito de dizer.
Eu não critico ao Sr Harildo (que ganhou um espaço na UFBA bem merecido, ainda que fica com sala quase particular e não gosta que outros alunos usem). Meu questionamnto vem a partir das palavras do GVT. Faz comparações absurdas, ele conheceu o Buffes du Nord ou o Berliner Ensemble? Comparando com Obras de Braham? Fala serio!
Ele fala de alternativas inconsistentes, desenraizadas e desorientadas? Quais alternativas são essas? Quando as primeiras desenraizadas são as do teatro europeu instalado e imitado por nós em função de ver o importado como melhor?
Vc não acha, caro amigo que o que esta acontecendo é que os criadores estão despertando para a procura de uma maneira autentica de ver o teatro? Penosamente a esc. de teatro UFBA é um tanto atrasada, ficou naquilo de "somos a melhor escola de latinoamérica" texto que penosamente ouvimos ainda hoje dos labios de Tudella (um iluminador impecável, assim como o quadro branco do espetáculo de Hackler, todo branco com uma diagonal também branca)Quando a escola de teatro está cheia de buracos não só físicos, também curriculares. KD? O curso de dramaturgia? KD? O curso de teatrología? KD? O curso de desenho de cenârio,figurino e iluminação? KD a critica teatral?que não existe mais nessa cidade?
Me perdõe. Adoraria entender o que vc escreve em resposta a algo que não escrevi para vc. Mas caro amigo eu conheço de teatro e não só da Bahia.
Ah! e saiba que não coloco meu nome,pois tenho o direito de não aparecer.
Ou também quer me chamar de imbecil? Como o penoso-jovem-sólido GVT?
Mil desculpas.
Saudações.
Eu.

Anônimo disse...

Caro "eu",
Não conheço as estruturas da referida Escola, não posso opinar, realmente. Mas há um problema de leitura seu. O tal GVT chama de imbecil àqueles que vão assistir algo que já sabem como é e criticam o que já saberiam que iam ver. E isso me parece, mesmo, uma imbecilidade. A pessoa bebe água do mar e reclama que é salgada. Mas não quero entrar numa discussão sobres coisas que não conheço com uma pessoa que não se identifica.
um abraço,
Augusto.

Anônimo disse...

É tão necessário para o ser humano saber quem se comunioca com ele,quando existe a letra,a fala,o conteudo?
Eu posso te dizer que sou antonio lirio ou pedro dias...Muda algo?
Mas na verdade não devemos ficar discutindo coisas que não levarão a lugar algum;.
Pelo menos gerei minha opinião e achei na net alguém interessado em interagir.
E você é vc mesmo?
Obrigado
Eu

Graziela Alvarez disse...

Bem, eu ia fazer um comentário sobre o diálogo entre Augusto e Eu, porém ao ler o que Gil Vicente escreveu sobre Tradicão e contemporaneidade me senti totalmente contemplada e n vejo mais motivo para entrar nessa prosa.
Mas gostaria de deixar registrado, que como formanda da referida escola sinto-me honrada e sortuda por ter finalizado meu curso - que tem deficiências como qualquer outra escola - sendo dirigida pelo tradicinal diretor/professor Harildo Déda. E, ousadamente, falarei em nome de muitos colegas: não estamos lutando para quebrar estruturas caducas, estamos lutando para fazer teatro, um teatro digno.E como disse meu tradicional diretor:"só acredito em iconoclasta que já foi santeiro".

Anônimo disse...

olha, "eu", se você não é imbecil é covarde...no mínimo!Não se identifica e banaliza uma discussão tão profícua levantada por Gil, manchada por idéias tão rasas quanto as suas.Parecia que de tão inovador e inteligante seu comentário ia falar mal de Lula!COMO DIZ VOCÊ NA SUA ORIGINALIDADE: " fala sério"...Embora concorde com Graziela Alvarez sobre a frase de Harildo, acho que ele não precisa de defesa. CONHECE-SE A ÁRVORE PELOS FRUTOS, isso diz tudo sobre Harildo Deda.
MARCELO FLORES
PS: AINDA NÃO VI A PEÇA

Anônimo disse...

Vaia de bêbado não vale!
Se O decano Harildo tem uma sala exclusiva é porque dedicou com exclusividade 40 anos de sua vida para que aquela Escola exista e seja como é hoje.
Se dependesse de muitos covardes, aquilo tinha virado estacionamento de supermercado há muito tempo.
Há que separar o joio do trigo.
O problema é que se usa o anonimato covardemente.
Vá colocar seu nariz de palhaço! Vá se reinventar mais uma vez, seguindo mais longe a mesma velha estrada dos que reclamam sem conteúdo.
Vá estudar!!

by: Celso Jr.

Anônimo disse...

Celso jr?
kakakakakakakakaka
é outro!!!!
kakakakakakakaka
aos poucos vão aparecendo todos.

Jacyan disse...

Essa conversa está quente, o que mostra que a provocação foi boa...

Mas, Gil, eu francamente também não entendo ainda uma coisa simples, mas que você sempre comete , em seus textos sempre tão instigantes (e não vai aqui nenhuma ironia nisso): qual o sentido de atacar quem quer que seja, o iconoclasta, o imbecil, o acomodado, seja lá quem for, pra defender o TEU ponto de vista sobre teatro? É o teu ponto de vista, e isso deveria bastar. Ele é importante, e quanto mais coisas você realizar, seja no palco, seja no blog, seja na pesquisa, mais ele vai ser difundido e gerar pensamento. Mas me parece que você joga fora a criança com a água da bacia!... Isto é, que você, pra defender o que acredita, precisa demolir o que acreditam os outros. Tenho percebido que esta é uma atitude que está, digamos assim, muito... difundida, atualmente. Mas a gente não devia entrar nessa. Não precisamos.

Por exemplo:pra louvar Harildo (que merece ser louvado, isso nem se discute!) você esculacha (é com x ou ch?)todos os outros professores da Escola,os alunos, todo mundo, percebe isso? E aí... mesmo sem ter sido sua intenção, chama de incompetentes: a mim, por exemplo. A vários professores sérios e dedicados. E até a você mesmo, que já foi (voltou a ser?) professor substituto... A tal da "Escola" que não dialoga, não se assume, não discute, como você diz, somos nós mesmos, meu caro. Alunos, ex-alunos, profs. Ela não existe fora de nós, não é uma entidade autônoma. E também não é um sujeito indeterminado, do tipo "os que pensam, os que falam...". Pra que se usar (sim, você está usando) a autoridade inquestionável de Harildo pra criticar quem quer que seja?! A mesma coisa você fez há tempos nesse blog, quando, pra justificar a importância de uma "boa" dramaturgia, recorreu a Aristóteles! Deixa os mestres em paz, vivos ou falecidos, rapaz. Vamos cuidar de nossas vidas. Nós somos talentosos, sem nenhuma modéstia, e tem lugar pra todo mundo, anônimo ou famoso.

Beijos carinhosos, viu. Fica p. não, que eu gosto muito de você.

Gil Vicente Tavares disse...

Jacyan,
A Escola somos todos nós, "os que estamos", "os que saímos", "os que entrarão". Há vários professores que admiro na Escola, (e os outros, não conheço, e não posso falar do que não conheço). Não os ponho em xeque. Como você falou no comentário acima, o que me preocupa é gente querendo ser "moderninha", pelo simples fato de romper sem consistência.
Sempre agradeço aos professores que me formaram na Escola, e não vou citar nomes pra não esquecer ninguém. A questão é mais pofunda do que montar ou desmontar, é uma questão que envolve-nos a todos nas aulas de doutorado, por exemplo, sobre arte, formação, técnica.
Se você for perceber minha dramaturgia, ela foge totalmente de qualquer esquema aristotélico, por exemplo. Um bom professor "careta" com certeza demoliria minhas "técnicas" de escrita. Montei autores contemporâneos, como Heiner Müller e Thomas Bernhard, que irritariam qualquer professor comportado. Mas a questão é que as pessoas querem fazer revolução a partir do nada. E isso realmente me irrita, ainda mais quando se ataca sem solidez.
Quanto à Escola, acho que temos, os de lá, os de fora, os que entrarão, todos temos que levantá-la sempre mais, colocá-la no local qu ela merece, como um centro de prática e pesquisa, conjugadas, e fazer nossas pequenas revoluções na sala de aula.
Por sinal, você é uma das que só ouço falar bem, não queria de jeito nenhum que meu texto resvalasse em você. Aliás, o texto não é pra resvalar em ninguém, apenas pra lutar contra uma mentalidade que existe como eminência parda; difusa, confusa, mas perigosa.

Jacyan disse...

Então, caríssimo GVT, a julgar pelos bate-papos dessas últimas postagens, nós estamos de acordo!

Fico feliz com isso.

Sigamos levantando nossas pequenas revoluções, em sala de aula e, de preferência, conseguindo fomentar as discussões, como vocês aqui estão fazendo.

E sigamos discutindo ao longo do teatronu. Embora não tenha tido muito tempo pra me dedicar a isso (ai ai, quem tem?), eu gosto de uma boa querela, e pública, sobre teatro. Acho que faz um bem danado.

Beijos!
Jacyan

Gil Vicente Tavares disse...

Jacyan,
Sigamos discutindo ao longo do teatronu, sim. Esse espaço é pra isso, mesmo, já que não o temos em outras esferas. Espero sempre poder contar com suas provocações. E vê se incita o povo a ler e comentar! É sempre um estímulo para que continuemos escrevendo. Sem debate, as coisas ficam estanques...

ósculos e amplexos,

GVT.

Anônimo disse...

eu vi a peça agora...eu que fiz teatro no Sto Antônio em meio aos ratos e baratas-isso não é metáfora! me sinto contemplado com as 300 pessoas que foram assistir hoje a BRUXAS DE SALEM e amis ainda estando entre as 192 que conseguiram! 3h de drama! de THEATRON! com deficiências, com circunstâncias desfavoráveis, com contigente de formandos a ser escalado, com pouco dinheiro, sem gelatinas, sem efeitos, sem mentiras... e com uma tocante homenagem a Paulo Autran, com Harildo dizendo trechos de Liberdade, Liberdade.Parabéns Harildo, Mestre de muitas gerações de atores, Gepeto de muitos Pinóquios como eu.Parabéns formandos pela dignidade com que nos exibem o texto de Arthur Miller desempenhando papéis nem sempre confortáveis ou condizentes com as idades. Martim Gonçalves, fundador da Barca, tem em Harildo Deda e alguns-poucos-professores a continuidade de seu trabalho de formação prático através da encenação de clássicos em detrimento das maravilhas instantâneas que duram um verão e não fazem 50 anos de um palco como esse!
O resto é silêncio.
MARCELO FLORES

Anônimo disse...

Sou filho de Harildo.
Neto de João Augusto e de Alberto D'Aversa.
Sou bisneto de Martim.

Sim, sou mais um! Assim como esse "Eu" anônimo covarde insiste em dizer.

Sim, eu sou outro! E a cada hora vai aparecendo mais um.

Celso Jr.

Cristina Dantas disse...

Acho que a palavra mais ausente hoje no mundo é a dialética. Não se pode dialetizar justamente por que não há tempo para se conhecer as teses, na maioria das vezes por ignorância ou preguiça, haja vista o totalitarismo da propaganda massificada. No mundo de hoje não há mais espaço para a Palavra, apenas atos impessados e bárbaros. A palavrinha da moda é DESCONSTRUÇÃO, mas desconstruir o que não se sabe? O que não se conhece? Desconstrução do vazio? Fascismo, esta é a palavra dos bárbaros que não pensam, não dialetizam. Desta forma jamais surgirão novos pensamentos, uma sintese que possa gerar novos frutos... Harildo é um homem de teatro. E homens de teatro dialetizam, não quebram sem antes conhecer a estrutura dos muros que ora esmurram... Imbecis sim aqueles que compram e engolem a moda da DESCONSTRUÇÃO!!!