segunda-feira, outubro 20, 2008

meia-entrada, meia-sola, meia-boca


A atual mentalidade dos gestores da cultura é pulverizar as verbas. Com isso, os profissionais ganham menos, ficam menos tempo em cartaz e fazem trabalhos meia-sola, com claro resultado meia-boca. Mas em iniciativas vinculadas ao governo não pagamos meia-entrada.

Existem milhares de pessoas, em Salvador, que gastam inteiramente seu dinheiro em restaurantes caros, em lojas caras. Mas espertamente falsificam a carteira de estudante pra pagar pela metade o trabalho de um artista. E acham correto, pois no Brasil só é corrupta a ação do outro, a nossa é esperteza.

No Circuito Sala de Arte, o artista paga meia-entrada. Em vários teatros de Salvador, também. Mas no Teatro Castro Alves, artista não paga meia-entrada. No Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia, feito com dinheiro da Caixa Econômica Federal, com o Fundo de Cultura do Governo Estadual, e com co-patrocínio do Banco do Brasil e da FUNARTE (Ministério da Cultura), artista também não paga meia-entrada.

A atual mentalidade dos gestores da cultura impõe que os artistas façam um trabalho meia-sola, com um resultado meia-boca, mas o prejuízo que as artes estão tendo é inteiro. Total. Completo.


E disse Marcelo Praddo:

"A obrigação de pôr a cultura ao alcance de todos teve muitas vezes o indesejável efeito do desaparecimento da alta cultura, minoritária pela complexidade de seus códigos, em favor de um amálgama no qual tudo cabe".

Calma, Marcelo Praddo não disse isso. Ele apenas me disse que saiu numa revista semanal esta frase de Mario Vargas Llosa, escritor peruano. E Mario Vargas Llosa não estava se referindo à atual gestão da cultura na Bahia. Ou estava?

Aproveito para citar uma frase anônima que li certa vez:

"Enquanto certos procedimentos culturais (estéticos e políticos) são rechaçados e criticados em outros lugares do mundo, na Bahia eles são utilizados como novidades revolucionárias."

sexta-feira, outubro 10, 2008

Nilda Spencer sai de cena...


Lembro da delicadeza de Nilda.
O pretenso veneno de sua personagem no filme Eu, tu, eles era rodeado de delicadeza. Um de seus últimos trabalhos, Lábios que beijei, era todo de uma delicadeza com Wilson Melo, seu parceiro de cena, com o público, com o sensível texto de Paulo Henrique Alcântara, que vi sendo germinado nas aulas de dramaturgia de Cleise Mendes. Que, por sinal, vi pela última vez em cena recitando poesias de Florbela Espanca, junto com sua filha, Elisa Mendes, Teresa Araújo e; Nilda Spencer.

Ainda um adolescente, fiz a assistência de meu pai neste espetáculo, e pude entrar em contato com algumas das minhas referências no mundo do teatro baiano; e me encantava estar naquele universo, com aquelas mulheres.

Nilda talvez seja o símbolo da guinada que o teatro baiano tentou dar, no final da década de 50. Um projeto fantasticamente maluco de Edgar Santos tentava trazer a vanguarda européia para dialogar com a Bahia através da criação da Escola de Teatro, de Dança e de Música da Universidade Federal da Bahia.

Nilda se formou na primeira turma da Escola de Teatro, e o projeto de profissionalização via, naquele momento, uma possibilidade de Salvador ser um centro de referência. As idas e vindas, ao longo dos anos de mudanças de poder, de diretores, de reitores e de reformas fizeram a Escola de Teatro balançar, pra um lado e pra outro, mas a carreira de Nilda enquanto mulher de teatro se tornou inabalável.

Foi atriz na época que ser atriz era ser puta. Foi atriz na época que ser atriz era subversivo, foi atriz na época que ser atriz já não precisava ser.

Lembro uma vez, no Pelourinho, onde estava numa mesa de bar com Nilda. A sua grande preocupação era que só poderia tomar um uísque, pois voltaria dirigindo pra casa. E ria. E falava putaria. E brincava. E vivia. Tudo com a mais exuberante delicadeza.

Um artista não morre. Sai de cena. Escrevo isso não para ser poético, sensível, delicado como ela. Mas pelo simples fato de que um verdadeiro artista deixa em nossa memória, marcada, aquela presença no palco, aquela imagem na tela. Enquanto houver lembrança, a atriz está viva.

Nilda sai de cena, e eu fico aqui, caladinho, segurando a porra do choro – e Nilda daria tanta risada disso que falei... – aplaudindo sozinho o final de seu espetáculo.

GVT.


sexta-feira, outubro 03, 2008

Direto do túnel do tempo...

Escrevi este artigo em agosto de 2007, para ser publicado, o que não ocorreu, na ocasião. Como, além do fato das coisas não terem melhorado, se anunciam novas questões mais preocupantes ainda na gestão da cultura baiana, resolvi colocar o artigo aqui no blog, local onde não dependo de veleidades, preferências e tendências.

REINALDO MAIA E A DEMOCRACIA NA CULTURA BAIANA

Dia 20 de agosto, no projeto Fala Vila, o convidado da noite foi Reinaldo Maia, diretor e dramaturgo, um dos mentores do Arte contra a barbárie, movimento paulista que – numa reação à falta de uma efetiva política pública para o teatro em São Paulo – tornou-se referência e possibilitou que se criasse a Lei de Fomento do Município de São Paulo. A lei foi aprovada na gestão de Marta Suplicy (PT) e garante uma verba anual para cerca de 30 grupos, que apresentam seus projetos e são julgados de acordo com critérios escolhidos pelos próprios artistas.

Convidado numa articulação do Vila com a Fundação Cultural do Estado da Bahia, Reinaldo Maia discorreu sobre arte e política com a desenvoltura de quem batalhou e obteve êxitos importantes para o teatro em sua cidade.

Curiosamente, boa parte de seu pensamento era diametralmente oposto à atual filosofia vigente na FUNCEB, numa clara lição de democracia – por parte dos gestores da cultura baiana – que merece ser aplaudida.

O diretor e dramaturgo, também componente do grupo Folias d´Arte, foi bastante enfático quanto a questões de pulverização (democratização?) da verba e contrapartida social, dois carros-chefe da FUNCEB, bem como questões relacionadas à verba ser dinheiro público.

Reinaldo Maia quis deixar bem claro que ele era um artista, e que não era função dele fazer assistência social, distribuindo ingressos gratuitos e fazendo oficinas nas comunidades carentes e periferias, dois claros exemplos do que a política atual quer empurrar goela abaixo dos artistas baianos. Falou que estes eram papéis do governo, que a contrapartida oferecida por ele era seu trabalho, com qualidade e postura crítica, já que arte, segundo ele, eu e alguns mais pensamos, é uma ferramenta de discussão do homem e da sociedade e cumpre seu papel enquanto arte (e é assim que a arte tem seu valor intocado nas nações mais avançadas).

Tocando em assuntos como sentimento de culpa da classe média, proselitismo e esmola, o convidado da noite, sem nenhuma intenção direta de atacar a atual gestão baiana, mostrou-se bastante irritado com a transferência de responsabilidade do governo, deixando bem claro que para ele as iniciativas pontuais de distribuição de convites e oficinas não são inclusões sociais, são pontuais e não efetivas, e que não compete a ele pensar isso. Não bastasse ter que tentar sobreviver com a pouca verba, ainda incluir programas sociais paralelos, obviamente não-remunerados e que ainda ocasionam gastos para o artista. Tanto de tempo quanto de verba.

Quanto à questão do dinheiro público, mais uma vez ele chamou a atenção para os equívocos referentes às contrapartidas. Questionou porque que a sociedade não cobrava da FORD, que veio se estabelecer aqui sem pagar determinados impostos durante dez anos, carros gratuitos para a população carente. Ou porque o perdão da dívida de indústrias e agronegócios não era retribuído em ações sociais e distribuição de produtos e estoques. Como ele mesmo questionou, parece que o teatro, por ser mais desfavorecido, fica como massa de manobra para o proselitismo e assistencialismo do governo.

Indignado, pediu desculpa – ao final da noite – pela sua exaltação, mas ressaltou que a direita paulista vinha pressionando os artistas com as questões acima levantadas, chamando-os de privilegiados; ao que ele respondeu que o mérito artístico, pra além de ser discutível, era determinante para a distribuição coerente da verba pública. Chamou a atenção para um inútil pensamento de distribuição de empregos nas artes, como se a pulverização das verbas fosse resolver problemas de desemprego, e ressaltou a questão de que com a verba esfacelada, quem perdia era a qualidade do trabalho artístico, que, segundo ele, era o que menos importava à direita paulista, mais interessada em ganhar votos tirando o pouco de quem já não tem muito, leia-se; os artistas.

O mais curioso é que todo o pensamento da direita paulista, que ele tanto criticou, é muito afinado com o que vem se pensando na atual gestão cultural da Bahia.
Será que a esquerda, hoje em dia, serve apenas para ultrapassagem?

terça-feira, setembro 30, 2008

arte contemporânea II (ou como diria Noel; com que roupa eu vou?)


Pequeno diálogo ao fim de outro espetáculo:

- Super contemporâneos aqueles figurinos de época...

- A onda agora é montar peças históricas com figurino contemporâneo! Montar peças históricas com figurino de época é coisa do século XIX, início do século XX...

- E antes do século XIX?

- Montava-se a peça histórica com figurinos contemporâneos.

- Ah, tá. (Pausa reflexiva). Ih, perdi o bonde...

quinta-feira, setembro 18, 2008

Em tempos de eleição...

O ANALFABETO POLÍTICO

O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
Nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo da vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha,
Do aluguel, do sapato e do remédio
Dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
É tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo
Que odeia a política.
Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Pilantra, corrupto e lacaio
Das empresas nacionais e multinacionais.

Bertolt Brecht.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Esclarecimento

Devido a alguns emails que recebi e perguntas feitas por algumas pessoas próximas, sempre com as perguntas “vocês botaram projeto no edital da FUNCEB” ou “por que o Teatro NU não botou projeto no edital da FUNCEB”, resolvi esclarecer publicamente o ocorrido.

O Teatro NU colocou, sim, um projeto no edital da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Tratava-se da montagem de Animais noturnos, peça de Juan Mayorga, autor renomado e premiado na Europa. Seria a primeira montagem de um texto dele no Brasil, bem como – através da chancela e apoio do Instituto Cervantes – proporcionaríamos a primeira vinda dele ao Brasil, para falar de sua obra aqui em Salvador. Sob minha direção, o projeto contava com o seguinte elenco: Carlos Betão, Evelin Buchegger, Marcelo Praddo e Jussilene Santana.

Concorremos na categoria de 60mil, e não ficamos entre os três aprovados e nem, tampouco, entre os quatro suplentes.

Meu nome estava em outro projeto que também não interessou à comissão do edital. Tratava-se da comemoração de 20 anos de carreira de Carlos Betão. A convite do próprio, que resolveu encampar um projeto pessoal. A idéia seria transpor, pela primeira vez, a obra de João Ubaldo Ribeiro Sargento Getúlio, para o palco. Esta obra foi significativa da literatura brasileira e projetou o autor baiano, tendo sido publicada em vários países e sido filmada com Lima Duarte no papel principal.

O projeto concorreu na categoria de 30mil e não ficou entre os quatro aprovados e nem, tampouco, entre os oito suplentes também.

A comissão de seleção foi composta por Ana Lúcia Oliveira Paolilo, Cláudio Cajaiba e Jorge Vermelho, com o acompanhamento de Ney Wendell, diretor de Teatro da FUNCEB.

Vale ressaltar, também, que inscrevemos o espetáculo Os javalis no Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia e no Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia, e também não fomos selecionados pra nenhum dos dois.

É isso.

GVT.

sábado, setembro 06, 2008

TRÊS CENAS BAIANAS

Essas três cenas abaixo, escritas para um espetáculo comemorativo dos dez anos do CEDECA (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente), ficaram esquecidas no meu computador, tendo servido apenas ao espetáculo que dirigi no Teatro Vila Velha.
Na atual conjuntura soteropolitana, onde a violência se faz mais presente do que nunca e cresce junto com a desenfreada população, acabei por sentir a vontade de "ressuscitar" essas cenas, numa tentativa de dialogar com o momento estranho que nossa cidade vive.
Vale lembrar que as duas histórias, entrecruzadas nos diálogos, foram fruto de uma pesquisa nos arquivos do CEDECA, relatos de uma guerra do homem com homem, que não acaba nunca - parodiando o título de um espetáculo do Bando de Teatro Olodum...

CENA I

I - CENA DAS MÃES

M1- E ele só estava voltando pra casa...

M2- Sempre confiei nele, afinal, era meu marido...

M1- Eu juro que ele nunca teve entrada na polícia...

M2- Não esperava entrar em casa e ver o que eu vi...

M1- Nunca vi fazer desordem...

M2- A cama toda desarrumada...

M1- Calma moço, foi assim...

M2- Comecei a me tremer toda...

M1- Era um domingo, e ele sempre saía de casa com os amiguinhos dele... era bom rapaz, isso eu posso garantir... foi pra uma festa lá no clube...

M2- Ele bebia demais, eu admito, mas sempre tratou a gente com muito carinho... eu não ia ouvir o que as vizinhas estavam dizendo, sabe como é esse povo... eu sei que eu confiei demais...

M1- Nunca foi de arruaça, eu posso garantir pro senhor, ele queria ser advogado, trabalhava vendendo cuscuz na rua, mas sempre estava cedo em casa. Olha, eu juro pro senhor que ele nunca foi de ficar até tarde na rua, pelo contrário, voltava cedo pra trazer o pão. Isso quando ele vendia alguma coisa, claro né, o senhor sabe como tá difícil vender qualquer negócio hoje em dia, o povo não tem dinheiro pra comprar e a gente fica sem dinheiro pra comer... ah!, mas digo ao senhor que ele nunca roubou, nem ele nem os coleguinhas...

M2- Era motorista de ônibus, o desgraçado. A gente se juntou faz dois anos e ele até brincava que os peitinhos dela estavam crescendo e eu achando que era carinho de pai, sei lá, ele dizia que se sentia pai, comprava queimado pra ela, muita roupinha... ah!, engraçado que as roupas que ele comprava eram sempre curtinhas, sainha, topizinho, e eu nem me apercebia... até achava bonito quando ele botava a menina no colo...

M1- Nesse dia ele até me disse: “ó, mainha, esse trocado que eu peguei não é muito não, se der eu até trago o pão pra senhora”. Os meninos até esculhambavam com ele, nesse dia mesmo, ficaram dizendo que iam tomar tudo de cerveja, mas assim na minha frente, sabe, moço, foi coisa de perturbação, eles não eram dessas coisas não, meu menino sempre foi respeitador... o outro lá, que deus me perdoe, é que estava endiabrado... homem com arma se acha homem duas vezes, ainda mais quando é da polícia, você sabe, né!? Eles abusam mesmo...

M2- Mas nunca imaginei que ele abusasse dela... quando bebia, ele sumia de casa, só voltava no outro dia, chegou até a ir pro trabalho direto. Ele às vezes trocava turno, dizia que era pedido do chefe e a gente não se encontrava em casa, acho que eram nessas horas que ele, sei lá, prefiro não falar... desculpa moço...

M1- E foi assim, o menino voltava da rua, só bateu boca com o motorista, coisa de parar fora do ponto, menino o senhor sabe, né?, tudo perturbado, estava com os coleguinhas, parece que os policias não gostaram...

M2- Eu entrei em casa e vi tudo escuro, já era hora da minha menina ter chegado...

M1- O polícia desceu junto com os meninos, o motorista parou...

M2- Eu entrei no quarto ouvindo aquele chorinho...

M1- Eu soube que teve até gritaria...

M2- E os dois lá...

M1- Foi um tiro só...

M2- Tinha que ser com ela!?

M1- E foi isso...

M2- E foi...

M1- E...

M2- Desculpa, moço...

CENA II

II - CENA DOS AGRESSORES

H1- O senhor antes de tudo me respeite...

H2- Sim, calma, eu só quero saber a verdade...

H1- Moleque, rapaz, uns vagabundo...

H2- Me fale da história, meu senhor!

H1- Era feriado, eu já disse...

H2- O senhor tinha bebido...

H1- Porra, deixa eu contar!

H2- Desculpa.

H1- Tomei umas cervejas, sim, era feriado, porra, eu tava folgando...

H2- Se o senhor estava folgando, por que a arma?

H1- Sei lá, a gente é polícia, tem que tá preparado pra qualquer coisa!

H2- Pra matar um menino!?

H1- Já disse pro senhor que eu não queria matar, foi só pra dar um susto!

H2- E mirou no menino!?

H1- O senhor que ouvir a porra da história ou quer contar a sua!? Eles estavam perturbando o motorista, queriam que parasse fora do ponto, vinham cantando um pagode alto no fundo do carro, eu e meu colega ficamos logo perturbados, aquela zuada, final de noite... e aí os meninos, de repente, estavam batendo boca com o motorista. Aí desceram, xingaram o motorista e rumaram uma pedra no ônibus...

H2- Pegou?

H1- No ônibus?

H2- Sim!?

H1- Eu sei que eu desci do ônibus, o motor mesmo pediu, parou o carro e atirei...

H2- Em direção ao menino...

H1- Só pra assustar, porra!

H2- E a pedra, pegou no ônibus?

H1- Foi só pra assustar!

H2- Pegou no ônibus? Eu te fiz uma pergunta!

H1- Porra, não pegou não...

H2- Então por que?

H1- Tinha que manter a ordem...

H2- Atirando...

H1- O senhor está me deixando nervoso...

H2- Eu só quero entender...

H1- Porra, vá se lenhar!

H2- O senhor, antes de tudo, me respeite!

H1- Mas eu só queria entender...

H2- O senhor me deixe em paz...

H1- Mas sua mulher nunca desconfiou?

H2- Minha mulher trabalhava muito...

H1- Sim, vocês raramente se encontravam em casa, o senhor já disse... o senhor gostava de beber, não?

H2- Gosto.

H1- O senhor batia nela?

H2- Porra, mulher chata, você sabe, né...

H1- Ela dizia que o senhor tratava a menina muito bem... bem até demais, não acha?

H2- A patroa liberou ela mais cedo...

H1- Sim, é isso mesmo que eu preciso que o senhor conte...

H2- Porra, a desgraçada sempre se atrasava, eu até desconfiava da demora, brigava com ela e tudo... porra, a menina dando sopa... ela era vagabunda, isso eu garanto ao senhor!

H1- Sua enteada?

H2- Ela mesmo, nigrinha... botava uns shorts curtos só pra me tentar...

H1- O senhor acha então que a culpa é dela?

H2- Eu era cuidadoso, porra...

H1- E o choro?

H2- Era medo da mãe, dengo... eu sou inocente, meu senhor...

H1- 12 anos, não é isso?

H2- Fez treze agora...

H1- Durante quanto tempo?

H2- Os peitinhos dela começaram a crescer... essas meninas se desenvolvem cedo... a menina lá, dando sopa...

H1- O senhor confirma?

H2- Porra, minha mulher não...

H1- O senhor pode confirmar tudo?

H2- O senhor quer calar a boca!

H1- Basta.

CENA III

III - CENA DAS CRIANÇAS

C1- Não vou dizer nada não...

C2- Mas eu até tentei gritar!

C1- Não teve nada não, moço...

C2- Era só uma dorzinha...

C1- Eu tentei reagir...

C2- Lembrei de minha mãe...

C1- Aquela coisa estranha na gente...

C2- Depois ficou tudo escuro...

Pausa.

C1 e C2- Era um pouco cedo ainda...

C1- Tinha sido liberada do colégio e não tinha pra onde ir...

C2- Tava com meus colegas, todos prontos, era Domingo, uma animação retada...

C1- Eu preferia não voltar pra casa, mas minhas colegas tavam tudo ocupadas, uma tinha que ajudar a mãe, a outra queria fazer a tarefa sozinha e também, meu padrasto, àquela hora, não tinha voltado pra casa, eu tinha certeza... ah? Sei lá, preferia não encontrar com ele...

C2- A gente se encontrou cedo pra dar tempo de pegar um buzu vazio, mainha até achou melhor, “evitava confusão!”. O clube também ia ficar entupido, já tava até imaginando...

C1- O jeito foi voltar pra casa. Eu juro que eu só pensava em fazer logo a tarefa... poxa, eu não queria nada... quer dizer não tava querendo nada além do dever...

C1 e C2- O problema foi a volta...

C2- A porra do carro tava cheio, mesmo assim a gente disfarçou a agonia, cantamos um pagodinho e tava até seguro, na volta, tinha policial e as porra no ônibus, pensei logo. Sei lá, Domingo de noite fica um bocado de vagabundo por aí, tirando onda, sei lá...

C1- A casa vazia, pensei logo. Fiquei menos tensa... ah!, sei lá, sozinha eu podia estudar, não imaginava que ele... é isso... pudesse ter voltado do trabalho, ou não tivesse ido trabalhar, sei lá, ele não me disse nada – e nem precisava...

C2- Pô, eu só pedi pro motor parar fora do ponto e ele já veio logo me xingando...

C1- ...me pegando... não... aquela maldita cachaça! Bem que minha mãe já tinha dito que ia jogar esse negócio fora...

C2- Quem tinha bebido era ele... tá, eu só tomei uns goles... o trocado nem sobrou pro pão. Também, era tão pouco...

C1- Tão pouco pra minha mãe chegar... mas dava tempo...

C2- Desci do ônibus, o buzu andou um pouco e parou de novo. Eu estranhei, mas continuei andando. Meus colegas de repente gritaram e eu olhei pra trás pra ver o que era, vi os policiais, achei que era bandido e corri, ouvi uma zoada e...

C1- Ele me pegou, eu não queria, não entendo porquê...

C2- Passou isso tudo pela minha cabeça...

C1- E aquela coisa estranha acontecendo...

C2- Fechei os olhos...

C1- Uma voz bem longe...

Pausa.

C2- Não vou dizer nada não...

C1- Mas eu até tentei gritar!

C2- Não teve nada não, moço...

C1- Era só uma dorzinha...

C2- Eu tentei reagir...

C1- Lembrei de minha mãe...

C2- Aquela coisa estranha na gente...

C1- Depois ficou tudo escuro...

quinta-feira, agosto 28, 2008

teatro nu com a minha música...

Depois da surpresa de ter ganho o III Festival de Música da Educadora FM, com a canção A viagem de Firmino, e ter ganho o 2ºlugar no Festival de Música da Bahia, edição 2006, com a música Se você for da Bahia, parceria minha com Ivan Huol, tive a felicidade de ter uma música gravada no CD de Cláudia Cunha. Mar do norte, parceria minha com Ivan Bastos, pode ser ouvida no www.myspace.com/claudiacunha, num arranjo feito pelo próprio; belo arranjo, por sinal.
Dois Ivans, dois parceiros. Huol, responsável principal pelos meus êxitos nos festivais (meu padrinho!?), e Bastos, conhecido no meio musical como "professor". Duas referências absolutas pra mim, na minha adolescência, e que tive a honra de ter, depois, como parceiros. Honra essa agora transformada na bela gravação de Cláudia Cunha.
É isso. Apenas quis dividir minha felicidade e aproveitar pra homenagear meus parceiros e minha cara cantora.

GVT.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Na época de meu pai...

Na época de meu pai, Salvador era uma cidade que apontava para o futuro incensando seu passado. A geração anterior à dele havia despetalado para o mundo uma cultura típica, rica e festeira, nas músicas de Dorival Caymmi, nos romances de Jorge Amado, nas pinturas de Carybé e nas fotografias de Pierre Verger (estes dois últimos adotando a Bahia como sua terra e tendo sido adotados por ela), pra falar apenas de alguns que se foram. Mas era uma geração que também denunciava e ousava.

Nas canções de Caymmi, a pobreza misturada ao orgulho e à força do pescador, as primeiras dissonâncias; nos romances de Jorge Amado, a verve comunista que tanto o projetou e que fez sua obra ser mais do que o simples cartão postal que alguns o acusam. E toda uma obra de uma geração que, ligada às novidades que surgiam, dialogava com seu tempo e seu espaço.
Na época de meu pai, um jovem temporão havia chegado ao Rio de Janeiro, capital do país, com um jeito diferente de tocar violão e cantar, vindo lá de Juazeiro. E João Gilberto havia aberto a cabeça de toda uma geração baiana que iria revolucionar o país.

Na época de meu pai, as castas sociais eram misturadas em rodas de capoeira, nas festas de largo, no samba-de-roda do Mercado Modelo, no cineclube de Walter da Silveira, na Escola de Teatro da UFBA, nos seminários de música da mesma universidade que havia sido acrescida de novos cursos, implantados por Edgar Santos, que trouxe a Salvador a vanguarda do mundo.
Na época de meu pai, ele pôde ver Yanka Rudzka, Gianni Ratto, Koelreuter, Lina Bo Bardi e tantos outros trazerem uma linguagem nova que se mesclava ao som dos atabaques, ao corpo redondo das baianas, à expressão sofrida, mas gozadora, de um povo. E dessa mistura puderam surgir Glauber Rocha, Gilberto Gil, João Ubaldo Ribeiro, Caetano Veloso, Muniz Sodré e toda uma geração – a geração de meu pai – que mexeu com as estruturas de uma cidade adormecida em seu pensamento e visão.

Mas na época de meu pai, todos sabiam o limite entre o popular e o erudito, entre o amador e o profissional, entre o capitalismo e a arte. Até porque era uma geração que, apontando para o futuro, vislumbrava uma cidade cujo seu potencial artístico e cultural pudesse transformá-la numa referência mundial para a dança, a arquitetura, o teatro, o cinema, a música.
Outras épocas vieram, e a migração para o sul-maravilha, a ditadura, a direita no poder e (pasmem) agora a esquerda (heim?) no poder, dentre vários outros fatores, fizeram com que Salvador nunca deixasse de ser uma província. Tudo isso fez de nossa cidade um lugar de artistas mendicantes, sem espaço e sem reconhecimento; um lugar onde o folclore é munição do estado para fazer a ação mais preconceituosa que existe, que é valorizar o que há de genuíno e exótico como forma de prender um povo, de forma violenta, à sua decorrente falta de amplitude de visão e conhecimento; um lugar onde uma arquitetura de péssimo gosto foi engolindo as belezas de nossas prédios antigos, um crime que já havia se iniciado, por exemplo, quando da demolição da nossa igreja da Sé – pois é, temos uma Praça da Sé sem uma igreja da Sé – pra passagem de uma linha de bonde, e chega agora a proporções de irresponsabilidade tal que até as pedras portuguesas, os casarões históricos e nossa orla são alvos de especulação imobiliária e estupidez da administração pública.

Salvador se tornou um projeto falido. Não se pensou num processo de urbanização que dialogasse com o contemporâneo sem tirar os olhos do passado. Pelo contrário, a especulação imobiliária transformou nossa cidade numa mistura de Miami com Favela da Rocinha, espremidos que estamos por uma cidade que transita entre a aparência eterna de “invasão” com a de prédios das alturas, estéticas e localizações mais diversas, quase que em sua maioria evitando se pensar num diálogo com nossas vistas, nossa história, nossa cara. Os seguidos administradores públicos, para além de abrirem as pernas para a descaracterização da cidade, nunca olharam pra um de seus maiores bens, seus artistas, que ano após ano migram da cidade, ou se enfiam em universidades para ganhar a vida, frustrados por não ter havido um projeto, um plano, talvez uma extensão da abortada idéia de Edgar Santos e tantos outros da época, que sabiam dos valores existentes nesta cidade.

Hoje parece não ser mais a época de meu pai. Um homem que viveu a pujança da Bahia dos anos cinqüenta, sessenta e setenta, hoje se tornou um dos maiores poetas do mundo, uma figura culturalmente importantíssima, mas que, como as pedras portuguesas, parece estar sendo arrancado da realidade medíocre da nossa província soteropolitana.

Ele e tantos outros de sua geração bradam contras os crimes realizados à nossa cultura, à nossa arte. Ele é de uma geração que queria e tinha projetos para a cidade, mas que se espremeu entre brados quixotescos.

Enquanto os donos do poder legitimam e valorizam a ignorância, o amadorismo, a burrice e a pobreza da nossa grande massa – por um lado –, e por outro baixam a cabeça para interesses escusos e para uma classe média iletrada e manipulada, Salvador continua deixando de ser a cidade de Caymmi, de Jorge Amado, de Walter Smetak, de Rolf Gelewski, e de alguns grandes homens vivos que, atordoados, assistem à degradação da cidade que arranca seus valores, sua cultura, e planta em seu lugar a mediocridade e o mau-gosto do fim dos tempos...

GVT.

Texto dedicado à geração de Ildásio Tavares, meu pai, e a Dorival Caymmi, que foi encontrar uma outra Bahia por aí...

sábado, agosto 16, 2008

O Teatro e a Olimpíada (1ª parte)


Como não se fala, se vê ou se ouve outra coisa por estes dias parece que não dá mesmo para escapar do óbvio. Mas queria aqui fazer um esforço para pensar na Olimpíada com outros ângulos, relacionando-a com o meu tema ad exaustaum: o Teatro.

Os dois são manifestações culturais surgidas na Grécia Antiga, sabemos. Não vou especular muito sobre a causa de uma ter se tornado um espetáculo de interesse mundial, enquanto a prática do outro se transformou em algo pulverizado, de apoio restritíssimo, que movimenta pouca ou nenhuma publicidade e, causa-consequência, tem importância periférica na atual sociedade de consumo mediática.

Só vou lembrar da conversa que tive com minha amiga, a atriz Adriana Amorim, que está no mestrado do PPGAC investigando sobre as relações entre o teatro e o futebol, ou seja, entre o teatro e uma modalidade esportiva.

Depois que ouvi sua angustiada e legítima exposição sobre a diferença da quantidade de públicos, eu dei meu pitaco sobre o interesse massivo de um, em detrimento do desprezo massivo do outro. Em ordem, eu acho que: Em 1º lugar, no futebol há competição; Em 2º lugar, as regras são claras; 3º lugar, o objetivo final é obvio até para aqueles que não conhecem todas as regras: meter a bola na rede.

Acho que, sim, grosso modo, a competição e a simplicidade das regras explica muita coisa sobre o sucesso numa sociedade de espetáculo (qualquer uma). A simplicidade das regras que faz com que todos acompanhem o fenômeno, a competição que faz com que tomem partidos, irmanados em torcidas que promovem a participação e o engajamento. Não vivemos tempos de reclusão e observação. Não queremos a re-presentação, mas a presentificação, etc.

Em outra direção, lembro que o teatro também já teve suas torcidas. Na Grécia mesmo, as peças eram apresentadas em forma de competição. A maturidade da tragédia grega, por volta de 500 a.C, ocorreu graças a concursos públicos promovidos, anualmente, pela pólis.

Sófocles, autor de Édipo Rei, foi vencedor destes concursos dramáticos 24 vezes. Ésquilo levou 13 coroas de louros para casa (bom, não sei se era este o troféu para o teatro também...) e Eurípedes, de As Bacantes, levou outros cinco. Os números estão lá na História do Teatro, de Nelson de Araújo, e em outros livros. Isso para não falar da competição entre Shakespeare, Marlowe e Ben Johnson, da concorrência entre as diferentes casas de óperas, entre as sopranos, entre as primeiras atrizes. Sim, e entre os intérpretes de Shakespeare!

Quando um público, como o inglês por exemplo, conhecedor de um autor como Shakespeare, acostumado a assistir dezena de peças dele, vê um novo ator desempenhado o clássico papel, este público já tem de antemão algumas regras. O ator tem que ser muito bom para superar todas as expectativas da platéia e superar o desempenho dos outros intérpretes ao lado. É como no salto com vara: tudo mundo prende a respiração porque sabe o que vai acontecer. E respira quando o atleta o surpreende. Isto é competição. Isso mexe com o sangue.

É bem diferente do Brasil, por exemplo, pelo menos em relação a Shakespeare, onde a cada geração surge um eleito incomparável. Puxa vida, eu nem sei explicar como isso acontece... E que fique bem claro que obviamente não é culpa dos atores, que estão fazendo a coisa certa, mostrando seu trabalho, dando as caras, assumindo desafios. Mas que é um sistema provinciano no qual estamos cada vez mais inseridos, isto é.

Vale destacar que há muito tempo 'ser provinciano' não é mais associado apenas ao habitante de uma província real, digo, de uma cidade do interior. Ser provinciano, para a história das mentalidades, é estar limitado às suas fronteiras, sendo incapaz de ver e reconhecer o que há de fora delas. A percepção da realidade é "minha aldeia" e, dentro deste círculo (de variados tamanhos), achar que acontece tudo de mais importante no espaço e no tempo. O sistema midiático, claramente sem memória temporal, apresentando tudo como a "última bolacha do pacote", é reconhecidamente um ambiente provinciano. Lembre-se: para o provinciano só importa o que habita naquela aldeia.

Bom, mas voltando a competição, há muito dela na dramaturgia televisiva. Isso é inegável. Competição que, com certeza, provoca a produção, e - vá lá, sejamos humanos - nossos mais elementares instintos. É bom lembrar que tanto as competições teatrais quanto a Olimpíada quando aconteciam suspendiam as guerras em curso. O Teatro e o Esporte substituiam as competições de verdade. Neles continuamos inimigos, mas de 'mentirinha', sublimando nosso espírito de destruição real. Bom, não sei muito sobre Freud, só o suficiente para dizer com ele que é na sublimação dos instintos que está a base da civilização.

Mas, meu Deus, olha como o texto ficou grande só com a abertura... Incrível. Queria escrever sobre o esporte de elite e sua relação com o teatro de elite (e não, teatro DA elite!!!!). Deixo para uma segunda parte.

Beijing a todos.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Confissões de uma africana albina

Todo mundo que freqüenta este blog já está cansado de saber que eu vim de São Caetano. São Caetano o bairro vizinho da Liberdade (liberdade pro Ilê) e não a cidade do sul. Como o povo diz, nasci e me criei em São Caetano (liberdade pra São Caetano).

O que isto significa só Deus e meus amigos é que sabem porque eu mesma não faço idéia. Não! Minto. Faço sim... Faço porque, aos poucos, fui registrando como o meu jeito de ser repercutia ou causava.

Quando eu era pequena, a minha maior diversão era ir para a praia junto com minhas amigas. Domingão em Ondina, porque era rasinho, formava piscina e nossas mães deixavam... Agora, pense: alguém aqui sabe a distância? Por mais cedo que saíssemos de casa – e olhe que a gente se programava desde a véspera, separando o que cada uma ia levar, e etc. – a gente sempre chegava na orla umas 11h, 12h.

Primeira coisa que a gente fazia era escolher tipo uma zona para abrir as toalhas. Geralmente as meninas gostavam de ficar perto do Ondina Apart e eu não tinha muita escolha. Ou melhor: não dava importância para esta discussão. Para mim, tanto fazia. Até porque eu era a pirralha do grupo e não mandava em nada.

Formávamos um pequeno travesseirinho com um montinho de areia e lá íamos esperar o menino do bronzeador passar com aqueles saquinhos amarrados num pau. Lembro como se fosse hoje a sensação em minha pele daquele líquido oleoso e vermelho já quente pelas andadas do vendedor pela praia.

Umas 15h, geralmente a meu pedido, a gente ia para o ponto, pegar de volta o Barra/São Caetano da Transol. Como sempre, eu falava que ia ficar mais tempo, mas não agüentava. Resmungavam elas, enquanto sacudiam a roupa, dizendo que não iam me levar mais.
Como dizer?... Já no ônibus, durante as horas até em casa (depois ainda tínhamos que caminhar uns 20 minutos do ponto até nossa rua) eu sentia um mal estar terrível. O corpo todo latejando. O olho querendo fechar. Alguém aí já botou um tomate para ferver? Já viu como a pelezinha sai?

Geralmente eu faltava aula segunda-feira pela manhã. Não conseguia vestir uma camiseta. Só pelos 12 anos de idade foi que descobri o Caladril. Aos 19, me apresentaram o protetor solar.

Uns dois, três dias depois, as bolhas subiam. Eu e meu irmão gostávamos de pocá-las com uma agulha. Como mainha reclamava, a gente fazia escondido. Os meninos da rua ficavam rindo, mas eu nem ligava. Até que um deles, um dia, falou na minha cara que eu era uma barata descascada.

Eu dei um grito e saí correndo. Cheguei em casa chorando. Mainha, claro, perguntou por que. Eu disse e ela falou que ia reclamar com dona Marieta, a mãe dele. Depois da bronca que obrigou Edson a ficar de castigo, os meninos ficaram cantando uma música inventada que tinha uma barata descascada na letra.

Depois eles esqueceram.

Isso para não lembrar dos shows do Zampiapombo, na Formiga de São Caetano, e de outras histórias que o povo de Zambi vive me pedindo para contar em peça ou num roteiro...

Tem até um projeto meu com Xanda Dumas, infelizmente adiado devido a sua viagem para a França. Os mais radicais me pedem mesmo um pocket show, tipo microfone e banquinho, em protesto pela carestia em que estão submetidas as produções teatrais, mas eu não tenho talento para isso... Sou uma atriz dramática que precisa de toda a parafernália que o teatro moderno inventou para contar suas histórias. Preciso de, sobretudo, outro ator, porque já disse e esta é minha profissão de fé, o teatro nasce com o diálogo. E a arte de dialogar é a que mais me importa.

Por Jussilene Santana

P.s.: Pesquisei na net e não há nenhuma citação para este tema... Se vcs virem depois um projeto assim, já sabem de onde ele saiu...

sábado, agosto 02, 2008

A.rte Con.Tem/por.@neA

Pequeno diálogo ao fim do espetáculo:
- Não entendi nada.
- Mas não é pra entender, é pra sentir.
- Eu sinto muito.
Postado pela mais nova dupla caipira de Salvador Gil e Jussi
"que mexe com minha cabeça e me deixa assim"
Rumos Baneb Cultural