quarta-feira, julho 02, 2008

A mulher de Lott


Há doze anos venho me profissionalizando em duas áreas em Salvador. Há pouco mais de uma década iniciei, simultaneamente, minha graduação em jornalismo e meu primeiro curso profissionalizante em teatro, ambos na Universidade Federal da Bahia. A Ufba foi a primeira instituição que me acolheu quando saí (?) do bairro de São Caetano, para além dos encontros na Igreja do fim de linha e do trabalho no armazém de frutas e verduras de Seu Branco, meu pai. Na Ufba fiz, além da referida graduação, duas extensões e duas pós. Nela conheci amigos, marido e uma plêiade de mestres-artistas. Sou, como se diz, cria da sua costela Tenho algumas de suas qualidades e todos os seus defeitos.

Bem sei o quanto de energia e, porque não, de desgaste (ou será de pretensão? “Sejamos Idealistas!”) esta dupla empreitada profissional me exigiu. Mas como viver de arte na Bahia? Na falta de outros mecenas, a jornalista financiou a atriz. Do início para cá, as experiências se alternaram num intenso ir e vir, um bailado digno do “equilibrista/bêbado de Elis Regina”: assessoria de imprensa no Teatro Castro Alves, montagens como a de A Mulher sem Pecado e Shopping and Fucking, repórter do Correio da Bahia, encenação de Bolero e Senhorita Júlia, aulas para estudantes de comunicação e mestrado em artes cênicas...

Ganhei alguns prêmios em ambas as áreas e, por elas, trabalhei de graça uma porção de vezes. Se ressalto estes dois fatos não é por cabotinice ou falsa humildade (!?!), mas porque, ocorrendo juntos, eles dão para mim a exata medida do contraditório do nosso mercado, do conflitante andamento da “cultura baiana”. Cultura baiana que para muitos é um pleonasmo... Cito tais exemplos, sobretudo, porque vejo a chama eterna de muitos artistas que admiro se apagar nesta mente sem lembranças que é a construção de uma carreira numa cidade que, ainda em muitos aspectos, continua provinciana. Com os velhos endeusamentos e achaques das províncias, sejam estas americanas, latino-americanas ou russas.

Foi em meio a este percurso de questões que, durante quatro anos, trabalhei como repórter especial do jornal Correio da Bahia. Neste veículo, pude escrever sobre vários temas concernentes às artes. Não raro, todos ligados à memória. Há seis anos, numa megalomaníaca empreitada, eu escrevi um especial sobre os 500 anos (!) de teatro no estado. Este texto foi posteriormente selecionado para integrar a coleção Memórias da Bahia, do mesmo jornal. Durante quatro semanas de apuração, realizei entrevistas com atores e diretores, pesquisei dezenas de arquivos e livros sobre a atividade cênica entre o período colonial e os dias atuais. Este trabalho me proporcionou uma visão panorâmica da história do teatro baiano e de como os momentos de progresso e decadência vêm se alternando ao longo dos séculos, em intervalos cada vez menores. Seu título: Uma tragicomédia provinciana.

Através desta pesquisa, outros temas se fizeram instigantes e merecedores de aprofundamento. Diversos protagonistas desta imensa história aguardavam abordagens profundas e detalhadas, como o dramaturgo e compositor Xisto Bahia, o dramaturgo e diretor Agrário de Menezes, o diretor João Augusto e, obviamente, o idealizador da Escola de Teatro da Ufba, primeira no Brasil ligada a uma instituição de nível superior, o pernambucano Eros Martim Gonçalves.

Para o projeto do Correio da Bahia, cheguei mesmo a escrever o perfil do ator Mário Gusmão, primeiro ator negro da Escola de Teatro, figura bastante atuante no cenário artístico baiano entre as décadas de 1950 a 1980, que morreu em completa miséria no bairro da Liberdade. A matéria sobre sua vida foi capa do Correio Repórter, em abril de 2002, sendo utilizada na tese do pesquisador Jéferson Bacelar em doutoramento sobre o tema. Tal reportagem ainda serviu de base para um documentário sobre a vida do ator, realizado pelo cineasta Élson Rosário, em 2005.

Não foi um passo muito distante pensar numa pós-graduação utilizando este manancial. No mestrado, finalizado em abril de 2006, me propus a investigar a relação entre o jornalismo e o teatro na cidade, ou melhor, analisar a cobertura jornalística sobre o teatro, tentando considerar meu conhecimento acumulado nos dois campos. Se, num instante primeiro, pensei em me debruçar sobre o momento atual, para, então, compreender a minha própria inserção no ambiente, percebi que, para entendê-la, o mergulho tinha que ser mais profundo, voltando um pouco no tempo. O teatro contemporâneo se acha menos isolado do que poderia imaginar de um patrimônio cinqüentenário.

Daí que a dissertação Impressões Modernas – Compreensão e Debate Sobre Teatro na Cobertura dos Jornais A Tarde e Diário de Notícias (1956-1961) surge tentando investigar o comportamento da imprensa durante um dos períodos mais ricos do teatro baiano. São os anos de criação da Escola de Teatro da então Universidade da Bahia, período durante o qual os procedimentos do teatro moderno foram trabalhados sistematicamente nas artes cênicas locais. A criação desta instituição também representou um marco na conscientização do trabalho em teatro como um campo autônomo, como arte e profissão. Antes dela, a atividade tinha predominantemente um cunho amador e diletante. Em 1959, é criada a primeira companhia profissional de Salvador: O Teatro dos Novos, grupo fundador do Teatro Vila Velha.

A minha pesquisa de mestrado se desdobrou numa série de escritos que vem sendo publicados na grande imprensa e em revistas acadêmicas. Em 10 de junho de 2006, em homenagem ao cinqüentenário da Escola de Teatro, publiquei no jornal A Tarde o caderno especial Celeiro de Talentos, no qual revisito a história e questiono parte do imaginário que se construiu sobre o período de sua criação. Sobretudo sobre o papel da imprensa no afastamento de seu primeiro diretor e idealizador, Martim Gonçalves. Para mim, é de capital importância, não ingenuamente se “fazer justiça”, mas entrar na dialética das personas históricas e seus feitos, fugindo de uma chave simbólica muito utilizada em nossa capital: de que há uma pretensa luta entre um bem contra um mal. Cabe ressaltar que, até então, o mal era o senhor Martim Gonçalves.

No doutorado, cujo título provisório é "MARTIM GONÇALVES: 28 peças contra uma província", pretendo analisar, pioneiramente, a polêmica produção artística capitaneada por Martim Gonçalves nos cinco anos de sua administração e os porquês de seu afastamento da direção da Escola de Teatro. Para além dos inúmeros eventos e aulas, objetivo destacar as vinte e oito peças de teatro que produziu com o declarado objetivo artístico-acadêmico de mostrar para alunos e (para uma cidade!) o que de melhor o mundo do teatro já havia produzido em termo de textos, soluções técnicas e questões poéticas até aquele momento.
P.s: Este texto foi produzido para a disciplina de Lia Rodrigues (Seminário Interdisciplinar de Pesquisa) que tem como objetivo descrever o sujeito e sua trajetória rumo ao objeto do doutorado. Para quem esqueceu, a mulher de Lott foi aquela que, "desobedecendo a ordem de Deus", resolveu ficar e, olhando para trás (para ver o que aconteceria com a sua cidade), virou uma pedra de sal.

terça-feira, junho 17, 2008

Carta aberta à FUNARTE

Caros,

Recebo com moderada satisfação a preocupação da FUNARTE em saber a opinião de artistas sobre seus editais. Moderada porque sinto que, apesar de na aparência o governo ser o mesmo, a mudança de gestão na FUNARTE abortou a idéia das câmaras setoriais, interrompendo um diálogo que estava amadurecendo e que teria fortes reflexos no edital que ora vocês lançam.

Não se pode medir talento nem capacidade artística de regiões e estados, ainda mais à distância, mas queria aqui pontuar algumas questões práticas que demonstram claramente o equívoco de distribuição dos valores destinados à Bahia.

Nosso estado tem uma Escola de Teatro (UFBA) de prestígio e renome nacional, com uma pós-graduação – a única – a ter nota máxima (seis) na CAPES. Signifique isso o que for, é uma evidência de competência e produtividade acadêmica e prática, pois ingressam cerca de 50 alunos na graduação e 30 na pós-graduação todos os anos, vindos de vários países e pesquisando assuntos que, em seu resultado final, geram espetáculos consistentes, e poderiam gerar livros importantes para as artes cênicas do Brasil e, até mesmo, do mundo, não fosse o campo editorial baiano um fiasco de produção, circulação e, pior, venda no estado.

Temos, paralelo a isso, uma faculdade particular, a FSBA, que conta com um curso de teatro com renomados professores, alguns que transitam entre a federal e esta, pesquisadores doutores e mestres.

Além do nível superior, temos o Curso Livre da Escola de Teatro da UFBA e cursos profissionalizantes que colocam no mercado, em nível técnico, atores e mais atores todos os anos. Para não falar do teatro de rua, os grupos amadores das periferias, etc.

Academicamente, já conseguimos equilibrar as emigrações e as imigrações. Não temos a utopia de ser um local atrativo para profissionais de outros estados mais abastados e favorecidos, mas tentamos segurar, ao menos, nosso talentos no estado, pra cessar um pouco essa síndrome “pau-de-arara” que assola nossos artistas, que migram em busca de uma remuneração devida e, obviamente, o sucesso e a fama.

Paralelo a isso, chegamos num contra-senso profissional com casas de espetáculo que cobram preços que os artistas locais, em sua esmagadora maioria, não podem pagar. Os investimentos privados são uma piada no estado, e as empresas e instituições não investem culturalmente quase nada em Salvador, quiçá no resto do estado.

Contrariamente a alguns estados nordestinos, a presença do SESC é mínima – não por culpa da gestão local –, não temos centros culturais ligados a bancos, exceção feita a um modestíssimo espaço cultural da Caixa, um casarão sem estrutura técnica suficiente.

As leis de incentivo só chegam, como em outros lugares, para os artistas de caráter mais comercial, com um foco no entretenimento e de reconhecimento nacional. Nossos “atores globais” são as festas, blocos e espetáculos de música axé, que concentram todo o investimento de um empresariado, quase que em sua maioria, insensível às artes. E é bom frisar que os investimentos feitos na área artística trazem em si um significado de piedade, esmola, filantropia, com valores irrisórios.

Esmagados pelos meios de comunicação e a falta da iniciativa privada de apoiar uma cultura diferenciada, ficamos dependentes do estado, seja em nível municipal – que é totalmente inoperante –, estadual, que está se esforçando, batendo cabeça, mas com boas intenções, e a esfera federal, que relegou à Bahia, sem talvez tomar pé da nossa situação, oito prêmios de vinte mil reais e três de cinqüenta mil reais, no atual edital da FUNARTE. O próprio governo estadual percebeu a necessidade de mais verbas e lançou um edital mais digno, cujos valores qualquer um pode ter acesso através do site da secretaria de cultura. E poderíamos elencar, aqui, custos básicos de uma produção que constrangeriam qualquer gestor que os comparasse com a verba disponibilizada por vocês.

Sei que passa pela cabeça dos gestores públicos que os artistas nunca estarão satisfeitos, sempre reclamando, mas tentei aqui demonstrar dados concretos da relevância do teatro e necessidade de verbas mais significativas para as artes cênicas daqui, na Bahia – e não somente verbas, como uma política cultural mais eficiente e consistente, pois editais são apenas a superfície de uma solidificação da cultura de uma nação e de um povo.

Vale ressaltar que numa conferência realizada pela secretaria de cultura do estado, a maior demanda do interior foi por teatro. A Bahia é do tamanho da França, e existem cidades completamente independentes de Salvador, que realizam seu teatro, tem sua autonomia, e estão sendo cada vez mais contempladas pelo governo estadual. Vê-se claramente que fica ainda mais estapafúrdia a quantia destinada e dividida para nosso estado.

Não queremos nada mais do que ser valorizados pelo que temos produzido nas artes cênicas. Seja nos espetáculos, que sempre viajam e voltam premiados de festivais ao redor do país; nos artistas que, a exemplo dos que migraram e estão fazendo sucesso no eixo Rio-São Paulo, demonstram profissionalismo, visão e diálogo com questões contemporâneas do teatro; seja nas nossas faculdades e na nossa pós-graduação, a Bahia tem um potencial e uma produção que vem se profissionalizando e que não pode ser ignorada. E deixo claro que devo ter esquecido alguns detalhes que fortaleceriam ainda mais as necessidades do estado.

Peço, portanto, que reconsiderem seus valores e aproveito para deixar registrado que nós, do Teatro NU, bem como vários artistas e grupos engajados na defesa de nossa profissão, estamos abertos a sentar e discutir de forma democrática, justa e clara nossas necessidades, mesmo que não sendo mais através das câmaras setoriais, projeto abortado que desperdiçou tempo, passagens e reuniões e foi abortado sem explicações.

Cordialmente,

Gil Vicente Tavares
Diretor e dramaturgo, integrante do grupo Teatro NU

sexta-feira, junho 13, 2008

A Estética BA x VI


Sempre me chamou atenção como em Salvador toda questão se resume em dois lados. Seja no embate acadêmico ou mesmo numa singela conversa de bar você cai neste raciocínio: Se você não se diz branco, só pode ser preto; Ou você é pobre ou privilegiado; É alienado ou engajado; Ou você é de direita ou de esquerda; Se não elogia o governo, só pode ser Carlista; Se não torce pelo Bahia, tem que ser Vitória. É a famosa estética Ba x Vi.

Talvez – e seguindo um raciocínio sociologicamente defasado – seja um problema provocado pela nossa geografia: afinal, a capital nasce dividida entre Cidade Alta e Cidade Baixa. Mas o fato é que em pleno século XXI, em meio à complexidade do mundo e depois do povoamento do Litoral Norte, já não é eficiente pensarmos deste jeito. Uma cidade para funcionar com três milhões de habitantes precisa de bem mais.

Os exemplos da Estética Ba x Vi não são poucos. Os "debates" político-culturais "que sacudiram" Salvador nos últimos meses até provocaram curiosidade, logo substituída pelo enfado. Talvez mesmo os termos colocados pelo professor Natalino Dantas tenham ajudado a soterrar o empreendimento de se discutir a herança negra na cultura-local-contemporânea sem ser militante. E seria bom para o raciocínio fugirmos um pouco do populismo. Somos um povo mestiço, híbrido, misturado durante séculos em suas técnicas e valores, mas tornou-se turisticamente vendável e/ou politicamente correto mostrar apenas uma face. E o pior: este retrato anti-cubista ajuda em quase nada a vida prática de nossa imensa maioria. Em ambas as frentes, nada avançamos.

Outra conseqüência deste maniqueísmo, desta naïf luta entre o bem e o mal, se manifesta na falta de continuidade das ações políticas. É preciso escolhermos coletivamente o que salvar do esquecimento. Não apenas entre um governo passado e outro, mas também em nossa história. Nenhuma instituição séria e duradoura pode sobreviver assim. Como numa esquizofrênica dança de Shiva, só sabemos dançar sobre escombros.

Hoje se tornou um tabu inconfessável assumir certo conservadorismo. Em qualquer canto (do mundo?) reforma é a palavra-chave da linguagem política atual. Conservador é o palavrão que esquerda e direita se atiram no rosto. Daí que ouvimos a todo instante: "Esta é a primeira vez na história que..."; "Nunca antes disso...". Talvez fosse importante, mais que fóruns entre vivos e vivos, uma conversa entre os vivos, os mortos e todos que ainda vão nascer. De fato não aprendemos nada com uma cidade que tenta se organizar há 459 anos? Repetimos velhas questões, mas respondemos sem considerar o acúmulo das respostas.

Para os que acham que aprender com o passado é só repetir o mesmo que outros já fizeram, resta a humildade de dizer que podemos, ao mínimo, aprender com os antigos erros.
Por Jussilene Santana - junesantana@gmail.com
Este artigo foi re-publicado no Jornal A Tarde, na página de Opinião, entre os dias 10 e 14 de junho de 2008.

quinta-feira, junho 05, 2008

Teatro NU em semana de muito trabalho


Gente, olha só a semana de nossa trupe:
No próximo dia 10 de junho, terça-feira, a partir das 9h da manhã, Gil Vicente participa do Encontro sobre Dramaturgia da Bahia, na Fundação Pedro Calmon. (Obviamente, eu estarei lá);
Na sexta-feira, dia 13 de junho, as 18h, a Escola de Teatro festeja seus 52 anos, com o lançamento de três publicações da Pós-Graduação. Eu escrevi um ensaio sobre a cobertura da imprensa teatral nas décadas de 1950 e 1960, para a Revista Repertório no. 09.
Mas, infelizmente, não estarei presente neste evento porque nesta mesma hora estarei chegando em Recife para o Festival de Teatro Brasileiro - Cena Baiana, que encerra no sábado e domingo, com Shopping and Fucking, espetáculo escrito por Mark Havenhill e dirigido por Fernando Guerreiro, no qual eu faço a Lulu. Meus colegas de elenco Celso Jr, Edvard Passos, Emiliano d'Ávila e Rodrigo Frota viajam no mesmo dia.
Quer mais?! Reunião especial amanhã, porque VAMOS FAZER festinha de dois aninhos de Teatro NU e temos muitos projetos para este ano.
Mais detalhes nos posts abaixo. Enjoy!!
Jussilene Santana

Shopping and Fucking encerra o Festival de Teatro Brasileiro (PE)


No final de semana de 14 e 15 de junho, eu estarei com o elenco de Shopping and Fucking no Festinal de Teatro Brasileiro - Cena Baiana, em Pernambuco. Faremos duas apresentações (sábado e domingo, às 20h) no Armazém 14, no Porto. Vamos fechar, literalmente, o evento, que teve início no último dia 23 de maio, com vários espetáculos baianos, como Aroeira, Deus Danado e Orinoco, entre outros. Quem estiver com saudades de Lulu, Mark, Gary, Brian e Robbie visita o http://br.youtube.com/watch?v=noXIq3CxygA.
Mais informações, com a assessoria do Festival:
"O evento, que se propõe a realizar um intercâmbio interestadual a partir da seleção de diferentes segmentos da produção cênica de um estado para apresentação em outra unidade da Federação, conta com uma programação de 20 apresentações, 07 oficinas, 8 exibições de longas-metragens baianos, 01 show musical com Naná Vasconcelos e Virgínia Rodrigues; além de palestras e encontros entre quem faz a produção cultural e público interessado. Essa maratona de atividades acontece entre os dias 23 de maio e 15 de junho, mobilizando a agenda de vários teatros da cidade como o Apolo, Hermilo, Santa Isabel, Parque e Armazém; além da Refinaria Cultural Nascedouro de Peixinhos.

O FTB é uma realização da Alecrim Produções Artísticas, com patrocínio do Fundo de Cultura da Bahia, Secretaria de Cultura, Secretaria da Fazenda e Governo da Bahia, Fundarpe, Secretaria de Educação, Governo do Estado de Pernambuco, Caixa Econômica Federal, Petrobrás e co-patrocínio da Prefeitura da Cidade do Recife, por meio da Secretaria de Cultura, Copergás ,Secretaria de Ciência Tecnologia e Meio Ambiente, do Governo do Estado de Pernambuco."
Por Jussilene Santana

Lançamentos marcam o aniversário da Escola de Teatro



No dia 13 de junho, sexta-feira, às 18h, o Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia (PPGAC/ET/UFBA) comemora os 52 anos da Escola de Teatro com o lançamento de três publicações. A Revista Repertório, os Cadernos do Gipe-CIT (números 18 e 19) e os Anais de Etnocenologia chegam ao público sob a organização dos professores-doutores Armindo Bião, Sérgio Farias, Antonia Pereira, Ciane Fernandes, Cleise Mendes, Cássia Lopes e Cláudio Cajaíba.

A Revista Repertório chega a sua nona edição tendo como temática a "poética e a política da diferença", numa tentativa de focalizar as artes cênicas afinadas com o debate político sobre processos sociais excludentes. O periódico destaca ainda dois ensaios que repercutem a história e a memória da cinqüentenária Escola de Teatro, primeira no Brasil ligada a uma instituição de nível superior. Os ensaios são da doutoranda, atriz e jornalista Jussilene Santana e do ator e doutor em Artes Cênicas Raimundo Matos de Leão.

Já o Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Contemporaneidade, Imaginário e Teatralidade (Gipe-CIT) traz dois cadernos com o título Estudos em Movimento. No caderno no. 18, os textos giram em torno da temática "Corpo, Crítica e História", enquanto no caderno no. 19, a temática é "Corpo, Criação e Análise". Os dois periódicos são organizados por Ciane Fernandes e Andréia Maria Ferreira Reis.

A terceira publicação reúne pesquisas apresentadas no V Colóquio Internacional de Etnocenologia, ocorrido na capital em agosto de 2007. Os Anais de Etnocenologia traz textos de pesquisadores brasileiros e franceses, sob a organização geral de Armindo Bião.

Todas as publicações podem ser adquiridas no dia do evento ou, depois, na secretaria da pós-graduação, localizada na Escola de Teatro, no Canela.

O QUE: Lançamentos de publicações do PPGAC/ Escola de Teatro e Escola de Dança
ONDE: Escola de Teatro, Canela.
QUANDO: Sexta-feira, 13 de junho, às 18h.
POR QUE: Aniversário de 52 anos da Escola de Teatro.

Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas/Escola de Teatro/UFBA
Avenida Araújo Pinho, 292, Canela.
TEL: 3283-7859
e-mail: ppgac@ufba.br
site: www.teatro.ufba.br/ppgac
Assessoria Jussilene Santana

Encontro debate dramaturgia baiana na próxima terça, dia 10/06


A Fundação Cultural do Estado da Bahia promove na próxima terça-feira, dia 10 de junho, o Encontro sobre Dramaturgia na Bahia. O objetivo é fomentar o diálogo sobre a produção e a circulação da literatura dramática no Estado e estimular a criação de ações de apoio à dramaturgia baiana. A atividade acontece das 9h às 18h, no auditório da Fundação Pedro Calmon, com inscrições gratuitas pelo endereço teatro@funceb.ba.gov.br, informando nome, RG, cidade, telefone e e-mail.
A programação é composta por mesas-redondas, palestra e grupos de trabalhos, com o intuito de fomentar o diálogo entre os participantes. Pela manhã, das 9h às 12h, estão previstas quatro mesas-redondas com os temas: A Dramaturgia na Bahia e a sua importância histórica, coordenada por Cleise Mendes; Formação de Dramaturgos e a Universidade, mediada por Marcos Barbosa; Dramaturgia Contemporânea, com Gil Vicente Tavares; e Dramaturgia no Interior Baiano, com coordenação de Roberto Abreu.
No período da tarde, acontecem a palestra Produção Literária na Bahia: Ações da Fundação Pedro Calmon, com o diretor geral da FPC Ubiratan Castro, finalizando o dia com uma plenária para a construção participativa de um projeto de produção e difusão da dramaturgia na Bahia. A ação é uma iniciativa da Diretoria de Teatro da FUNCEB, em parceria com a Fundação Pedro Calmon.

Serviço
O que: Encontro sobre Dramaturgia na Bahia Onde: Auditório da Fundação Pedro Calmon, Palácio Rio Branco, Praça Thomé de Souza, s/n, CentroQuando: dia 10 de junho, das 9h às 18hInscrições gratuitas: até o dia 9/06 pelo endereço teatro@funceb.ba.gov.br, informando nome, RG, cidade, telefone e e-mailRealização: Diretoria de Teatro da FUNCEBInformações: 71 3103-4066

quinta-feira, maio 22, 2008

Cristina Ortiz, público e porcentagens...


Salvador tem 3 milhões de habitantes. Com imensa desigualdade social, cultural e intelectual, estamos numa imensa província. Contudo, mesmo na província, existem guetos de resistência onde se podem achar afinidades e coerências estéticas minimamente afinadas.

Estive ontem no TCA para assistir a uma récita empolgante de Cristina Ortiz, pianista baiana que muito cedo, pra sua sorte, trocou a Bahia pelos palcos estrangeiros. Num concerto de repertório variado, pude ouvir o que ela chama de “mostrar o colorido da música”. Talvez, para os ortodoxos acostumados às versões pesadas e austeras de certos pianistas europeus, o concerto tenha sido um tanto quanto exagerado.

E talvez esteja aí a pedra de toque de Cristina Ortiz, brasileira e baiana. Ela relê com olhos novos e sensuais a música, dissecando a partitura como um bom diretor de teatro disseca uma peça, pra extrair dali tudo que ela pensa ter passado pela cabeça do compositor ao escolher tal nota, tal frase melódica, tal arpejo. Arte de primeira. Clássica e baiana.

Enquanto discute-se, incansavelmente, o berimbau, me vi num TCA incompleto, sem uma casa cheia que pudesse apreciar um momento de música universal. Sim, porque a Bahia talvez seja um dos últimos redutos onde se tem a idéia equivocada de se combater uma “cultura européia”. Os próprios europeus, bárbaros em sua grande maioria, tiveram a grande esperteza de copiar, roubar ou se inspirar em outras culturas pra criar a sua, sem constrangimento, sem que nenhum europeu lutasse pela legitimação da cultura européia.

Alguns podem até dizer que o preço era caro: havia ingressos a 30 reais (inteira). Bem, se paga isso ou mais do que isso para muitos eventos na cidade. Poderiam dizer: a música erudita é pra poucos, poucos consomem. Posso até concordar, mas vamos aos números. Salvador tem 3 milhões de habitantes. 10% disso são 300 mil. 1% é 30 mil. 0,1% são, portanto, 3 mil pessoas. Preocupa-me (ou até mesmo desespera-me) que 0,05% da população da cidade não tenha se interessado pelo concerto de uma pianista baiana de renome internacional.

Em Salvador, as pessoas têm desculpas inusitadas para não ir a concertos, espetáculos, recitais. Dizem que estão cansados do dia inteiro de trabalho e só pensam em descanso ao fim do dia ou no final de semana. Certo. Isso significa que o baiano trabalha bem mais que os paulistas, os parisienses, os novaiorquinos? Possivelmente. Pois lá, se vai a concertos, espetáculos de dança, de teatro, de música. Preço dos ingressos? Os bares de Salvador vivem entupidos de pessoas torrando dinheiro em lugares que cobram fortunas por um tira-gosto e uma cerveja. E não há xou de pagode, de Ivete, Barradão e xópim center que não esteja lotado.

Enquanto se defende por aí uma cultura primitiva, rudimentar, dissociada de padrões e técnicas que evoluíram ao longo dos séculos em todos os continentes, Salvador vai ficando pra trás em questões artísticas, forçando seus talentos a saírem daqui. O artista, cada vez mais deslocado, não tem espaço em nossa sociedade que, superficial, não consegue dialogar com a arte que fuja dos padrões pré-concebidos pela mídia e pelo apelo popular.

Sabe-se de toda desigualdade, diferença, falta de uma boa educação em casa e nas escolas, falta de leitura, tudo isso. Mas se 0,1% dos baianos fosse ao teatro, pagando ingressos e sem carteiras falsificadas, teríamos espetáculos lotados, gente voltando da porta do TCA pra assistir Cristina Ortiz, e, consequentemente, artistas podendo pensar na hipótese de viver de sua arte em sua terra.

Será 0,1% pedir demais?


GVT.

segunda-feira, maio 19, 2008

Aniversário


Oi, amigos, colegas, blogueiros! Coisa atípica (porque este blog é meio profissional/meio acadêmico), vim postar aqui uma foto de meu aniversário. Sim, meu niver foi dia 17 de maio (taurina, com ascendente em libra, marte em leão)! Mas como, afinal, não deixa de ser um BLOG, me permito trazer uma pequena foto íntima na qual aparece o Teatro NU em peso, hehe! Falta Fernanda Bezerra, que também é taurina do dia 15 de maio. Fê manda uma foto tua aí!....beijos a todos e ótima semana.

Jussi

quinta-feira, maio 15, 2008

Letizia Russo em Salvador


Eis as fotos do evento Diálogos sobre Dramaturgia Contemporânea - Brasil/Itália. Nossa convidada, a dramaturga e tradutora italiana Letizia Russo é uma mulher encantadora, inteligente e de finíssimo humor.

O encontro realizado na última quarta, 07 de maio, foi bastante proveitoso, considerando que foi a nossa primeira edição. Conversamos sobre seu processo de escrita, suas dúvidas, soluções e, sobretudo, sua forma de compreender a arte e o mundo. A platéia (veja abaixo) participou ativamente.

Muitas pessoas me pediram para o Teatro NU organizar uma leitura com suas peças, sobretudo Fim de Linha e Tumba de Cães, bastante citadas durante o debate. Estamos vendo um momento oportuno para que isto ocorra.

Em terras baianas, Letizia passou curtíssima semana. Com atípicos temporais, diga-se de passagem (foi aquela semana na qual um dilúvio atingiu Salvador)... Esperamos que a despeito do raro 'tempo', a sua estadia tenha sido tão saborosa e instigante quanto foi para nós.

Estamos finalizando o projeto para as próximas edições do Diálogos sobre Dramaturgia Contemporânea e em breve traremos novidades.
Jussilene Santana

Parte do público do Cabaré dos Novos, quarta, 19h.
Letizia Russo e o Teatro NU (Fernanda Bezerra, Gil Vicente Tavares e eu, Jussilene Santana)

Letizia Russo conversa com Gil e a dançarina Bárbara Barbará.

Eu entre os produtores Fernanda Bezerra e Marcos Cook.

Os dramaturgos Marcos Barbosa, Gil Vicente e Cláudio Simões, e o ator Gideon Rosa.

O ator Carlos Betão escolhe um dos livros de nossa apoiadora, a LDM.

Eu, Anderson Spavier e amiga