Inspirado pela expressão cunhada pela minha parceira, no texto abaixo, resolvi estender a discussão para uma questão mais ampla. Na verdade, o que falta é um diálogo da própria classe teatral com ela mesma.
Não passam dos dedos das mãos as pessoas que me parecem capazes de criticar ou analisar um espetáculo, uma peça, um texto, uma atuação, aqui em Salvador. Mas estas poucas pessoas calam-se diante de um debate que só tem a acrescentar aos poucos que pretendem se enraizar numa tradição que morre mais a cada dia. A tradição teatral que durante séculos fez da atuação, do drama, da direção e da concepção estética de um espetáculo, componentes inseridos em técnicas, discussões, éticas e estruturas.
Destaco este teatro em detrimento daquele que se diz intuitivo, visceral, espontâneo, que tanto pode ter como resultado uma curiosa obra do acaso ou um equívoco, sem traços vinculados a uma corrente que pôde muito bem açambarcar de Beckett a Brecht, de Büchner a Shaw.
É uma pena que as queixas, os comentários e as críticas sejam feitos pelos corredores, pelos botecos, pelas coxias. Existem pessoas gabaritadas para pôr em questão o fazer teatral soteropolitano, mas preferem ficar caladas, na fofoca e no desabafo.
Talvez o medo de causar antipatia, já que em Salvador se você não gosta de uma peça, você praticamente está xingando a mãe de toda a equipe envolvida. Não se tem um distanciamento necessário entre o pessoal e o profissional. E acaba-se por não se compreender críticas construtivas que podem redimensionar o palco de Salvador, numa visão mais ampla, clara e positiva.
Existe espaço. Hoje em dia, qualquer um cria um blog, manda pela internet um comentário para um jornal ou um email coletivo, existem publicações da UFBA, enfim, o que falta é a vontade de alguns de autenticar, desmistificar ou polemizar o fazer teatral.
Cadê os professores? Cadê os profissionais capazes? Será que não há ninguém disposto a debater, criticar?
É uma pena que os meios de legitimização do teatro, na cidade, fiquem nas mãos de incautos e vazios “formadores de opinião”. Deixa-se pra lá a questão que é primordial para que a arte sobreviva; sua legitimização através da crítica, da discussão, advindas de pessoas gabaritadas e preparadas.
Quantas vezes não ouvi uma excelente crítica de um espetáculo ou de um texto, feita por alguém estudado e preparado para ter uma visão mais ampla, rica e consistente da obra teatral? Por que então estas pessoas não se disponibilizam a escrever sobre isso? Artigos sobre o Theatre du Soleil, Peter Brook e Zé Celso são importantes credenciais para um postulante a teórico; tudo bem. Mas teorizar sobre o que está fora, justamente numa arte de alcance reduzido como o teatro, me parece, às vezes, um mero massageador de egos e uma vitrine para exposição de saberes.
É o que uma publicação recente chamou de “o silêncio dos intelectuais”.
Está lançada a provocação.
* * *
A respeito da crítica, em si, seja ela com qualquer finalidade, tem me saltado aos olhos certas características que transformam o ato de criticar em um equívoco estético contínuo. Nos próximos artigos falarei de algumas das características que contaminam a análise de um espetáculo, a saber:
O pensamento politicamente correto;
O paternalismo;
O etnocentrismo;
O caipirismo;
E a falta de um conhecimento satisfatório do fazer teatral.
Não passam dos dedos das mãos as pessoas que me parecem capazes de criticar ou analisar um espetáculo, uma peça, um texto, uma atuação, aqui em Salvador. Mas estas poucas pessoas calam-se diante de um debate que só tem a acrescentar aos poucos que pretendem se enraizar numa tradição que morre mais a cada dia. A tradição teatral que durante séculos fez da atuação, do drama, da direção e da concepção estética de um espetáculo, componentes inseridos em técnicas, discussões, éticas e estruturas.
Destaco este teatro em detrimento daquele que se diz intuitivo, visceral, espontâneo, que tanto pode ter como resultado uma curiosa obra do acaso ou um equívoco, sem traços vinculados a uma corrente que pôde muito bem açambarcar de Beckett a Brecht, de Büchner a Shaw.
É uma pena que as queixas, os comentários e as críticas sejam feitos pelos corredores, pelos botecos, pelas coxias. Existem pessoas gabaritadas para pôr em questão o fazer teatral soteropolitano, mas preferem ficar caladas, na fofoca e no desabafo.
Talvez o medo de causar antipatia, já que em Salvador se você não gosta de uma peça, você praticamente está xingando a mãe de toda a equipe envolvida. Não se tem um distanciamento necessário entre o pessoal e o profissional. E acaba-se por não se compreender críticas construtivas que podem redimensionar o palco de Salvador, numa visão mais ampla, clara e positiva.
Existe espaço. Hoje em dia, qualquer um cria um blog, manda pela internet um comentário para um jornal ou um email coletivo, existem publicações da UFBA, enfim, o que falta é a vontade de alguns de autenticar, desmistificar ou polemizar o fazer teatral.
Cadê os professores? Cadê os profissionais capazes? Será que não há ninguém disposto a debater, criticar?
É uma pena que os meios de legitimização do teatro, na cidade, fiquem nas mãos de incautos e vazios “formadores de opinião”. Deixa-se pra lá a questão que é primordial para que a arte sobreviva; sua legitimização através da crítica, da discussão, advindas de pessoas gabaritadas e preparadas.
Quantas vezes não ouvi uma excelente crítica de um espetáculo ou de um texto, feita por alguém estudado e preparado para ter uma visão mais ampla, rica e consistente da obra teatral? Por que então estas pessoas não se disponibilizam a escrever sobre isso? Artigos sobre o Theatre du Soleil, Peter Brook e Zé Celso são importantes credenciais para um postulante a teórico; tudo bem. Mas teorizar sobre o que está fora, justamente numa arte de alcance reduzido como o teatro, me parece, às vezes, um mero massageador de egos e uma vitrine para exposição de saberes.
É o que uma publicação recente chamou de “o silêncio dos intelectuais”.
Está lançada a provocação.
* * *
A respeito da crítica, em si, seja ela com qualquer finalidade, tem me saltado aos olhos certas características que transformam o ato de criticar em um equívoco estético contínuo. Nos próximos artigos falarei de algumas das características que contaminam a análise de um espetáculo, a saber:
O pensamento politicamente correto;
O paternalismo;
O etnocentrismo;
O caipirismo;
E a falta de um conhecimento satisfatório do fazer teatral.







